Reflexão: Liturgia do XXVI Domingo do Tempo Comum, Ano C – 29/09/2019

23 de Stembro de 2019

"Reflexão: Liturgia do XXVI Domingo do Tempo Comum, Ano C – 29/09/2019"

Grande milagre: Cair em si e mudar a própria história

Na Liturgia deste Domingo, XXVI do Tempo Comum, veremos, na 1a Leitura (Am 6, 1a.4-7), que o profeta Amós crítica a sociedade de consumo, denuncia severamente os ricos e poderosos dizendo que o luxo e a riqueza são adquiridos à custa da exploração e do empobrecimento da maioria, estes vivem no luxo e na fartura e são insensíveis diante da miséria e da desgraça de muitos. Amós diz que Deus não aprova tal comportamento e que estes irão para o cativeiro, para aprender o que é justiça e direito.

Na 2ª Leitura (1Tm 6, 11-16), o apóstolo Paulo exorta Timóteo a cultivar as boas virtudes e ser fiel ao projeto de Deus revelado em Jesus Cristo. Em seguida, orienta sobre como o cristão deve proceder em relação aos bens materiais: “Aos que têm riquezas neste mundo ordene que não sejam orgulhosos e que não ponham a sua esperança nessas riquezas, pois elas não dão segurança nenhuma. Que eles ponham a sua esperança em Deus, que nos dá todas as coisas em grande quantidade, para o nosso prazer! Mande que façam o bem, que sejam ricos em boas ações, que sejam generosos e estejam prontos para repartir com os outros aquilo que eles têm. Desse modo eles juntarão para si mesmos um tesouro que será uma base firme para o futuro. E assim conseguirão receber a vida, a verdadeira vida” (1Tm 6, 17-19).

No Evangelho (Lc 16, 19-31), vemos que os bens disponibilizados pela criação de Deus precisam ser partilhados entre todos, para que não haja o abismo que separa ricos e pobres. O Evangelho será sempre a Boa Nova aos pobres e apelo de conversão para os ricos. A parábola de hoje descreve a situação eterna daquele que não pôs em prática o ensinamento da Palavra de Deus. O amor da riqueza tornou-o cego para Deus e para o necessitado. Quem está bem nutrido não se dispõe a ceder suas riquezas nem diante dos maiores sinais, como, por exemplo, a ressurreição de um morto. De fato, Cristo ressuscitou, mas muitos ainda continuam a ser cegos e não se decidem diante dessa realidade.

Questões fundamentais que temos que levar em conta:

- O pobre Lázaro tem nome, é um excluído, ferido no corpo e na dignidade. A pobreza não é querida por Deus, nem por nós. A pobreza não levou Lázaro para o céu, mas a humildade. Ele se salva porque está aberto para Deus e espera Nele a salvação;

- A filiação divina não é suficiente para obter a salvação, mas sim a prática da misericórdia: “Pai Abraão... Filho, lembra-te...”. Deus optou pelos pobres não porque são pobres, mas porque são vítimas das injustiças e têm esperanças num mundo melhor;

- O rico não tem nome, é insensível, Jesus o situa abaixo dos animais: “Vinham os cachorros lamber suas feridas”. O rico estava fisicamente próximo, mas com o coração longe. Não é condenado por ser rico, mas porque é indiferente aos apelos de Deus. Ter bens e ser honesto não é o problema. As riquezas não impedem o rico de entrar para o céu, mas seu egoísmo e a não solidariedade com os necessitados. Em sua riqueza, fechou o coração a Deus e aos pobres. Talvez os bens do rico não eram fruto da corrupção e nem fosse culpado da pobreza diretamente, mas ele viveu para si, distante de Deus, não está contra Deus nem oprime, mas está cego para as carências das pessoas que estão em extrema necessidade.

- Acreditar ou não na vida eterna gera comportamentos diferentes: “se Deus não existe, tudo é permitido”. Ou, então: “Que devo fazer para entrar na vida eterna?”

Como entrar no Reino, na vida eterna?

1º) Assumir a opção de Jesus, gerar a partilha;

2º) Perceber onde há ambição e acúmulo que geram a morte e não pactuar com isso;

3º) Ajudar os pobres e os pobres também se ajudando, de que forma?

- Organizando-se na sociedade e na comunidade;

            - Denunciando e não pactuando com as injustiças;

            - Rejeitando propostas, leis, pessoas e projetos políticos que privilegiam só alguns;

- Tendo discernimento na hora de escolher projetos políticos, ver se defendem a cidadania, o bem comum, os direitos básicos etc;

4º) Decidir-se já, antes que seja tarde. Ajudar os necessitados é ajudar-se a si mesmo, é salvar-se. Jesus nos alerta que a opção pelos pobres deve ser constante: “Vocês sempre terão pobres com vocês” (Jo 12, 8). Ou, ainda: “Nunca deixará de haver pobres na terra; é por isso que eu lhe dou esta ordem: abra a mão em favor do seu irmão, do seu indigente e do seu pobre na terra onde você mora” (Dt 15,11). Enfim, “é urgente encontrá-los no caminho, como irmãos, do que enfrentá-los como nossos juízes”.

5º) Superar o grande abismo que separa. Quem cavou esse abismo? Quem impossibilitou a comunhão? A resposta de Jesus/Abraão é clara: “Vocês... se não escutam...” O rico não está só, mas esses ricos são tão miseráveis que só possuem dinheiro. Podemos eliminar esse abismo com nossas opções de compaixão. Hoje é nossa oportunidade, usar os meios corretos, pois nem toda riqueza se guarda em cofres. O inferno será consequência das más opções tomadas durante a vida.

6º) Escutar Moisés e os profetas, isto é, a Igreja que tem a mesma opção de Deus e que tem por missão salvar a todos, também os ricos. Faltam-nos avisos? Quem escutamos? Muitos ricos rejeitam os ensinamentos da Igreja e até pensam ser salvos por um milagre: “um morto ressuscitar”, mas Jesus diz que nem um milagre salva um rico egoísta, se ele não abrir o seu coração, a sua mente, desapegando-se de seus preconceitos, de seus privilégios e dos mecanismos de violência e morte: “Os Magos, avisados por Deus em sonho, seguiram por outro caminho e não voltaram a Herodes”.

Boa reflexão e que possamos produzir muitos frutos para o Reino de Deus.


Pe. Leomar Antonio Montagna

Arquidiocese de Maringá