Reflexão: Liturgia da Quinta-feira Santa – Ceia do Senhor, ano B – 01/04/2021

29 de Março de 2021

"Reflexão: Liturgia da Quinta-feira Santa – Ceia do Senhor, ano B – 01/04/2021"

A morte encerra o que foram as opções da vida: “amou-os até o fim”

Na Liturgia desta Quinta-feira Santa, veremos, na 1a Leitura (Ex 12,1-8.11-14), que a Páscoa era, primitivamente, uma festa primaveril, um ritual realizado por pastores nômades, mas que, com o êxodo, adquiriu um novo significado: a Páscoa será lembrança perpétua do Deus vivo que, para libertar o povo, derrota o opressor e seus ídolos, será o memorial, comemoração, da passagem da escravidão do Egito à liberdade. Assim, a Páscoa dos judeus quer ser o início de uma nova ordem das coisas, baseada na partilha, na preservação da vida e no memorial dos grandes feitos de Deus. Assumida pelos cristãos como festa principal, a Páscoa será a lembrança permanente de que Deus liberta seu povo de todo mal, por meio de Jesus Cristo, novo cordeiro pascal e nosso salvador.

Na 2ª Leitura (1Cor 11,23-26), o Apóstolo Paulo nos apresenta a instituição da ceia do Senhor, momento em que proclamamos sua morte e ressurreição, este será o novo sentido da Páscoa: Cristo é a nossa Páscoa! Não mais uma simples libertação social, mas libertação, salvação do pecado. Cristo é o novo memorial e, por isso, deve ser perpetuado, por ordem do próprio Cristo. Celebrando-o, em comunidade, nasce a vivência fraterna, a comunhão, a partilha.

No Evangelho (Jo 13,1-15), o evangelista João descreve a atitude de Cristo que vive conscientemente a sua passagem: “Sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. Cristo se apresenta como servo, indica com clareza as exigências para a participação da eucaristia: “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais”. O comportamento do discípulo tem seu princípio-força no dever de aceitar Cristo-servo. Esse texto narra a última ceia do Jesus e o seu exemplo de amor, ao lavar os pés dos apóstolos.

No ritual do lava-pés, sentimos o amor que se humilha, na ceia, eucaristia, celebramos o amor que se imola, partilha, se compartilha e se reparte, perpetuando o sacrifício de Cristo na cruz.

Boa reflexão e que possamos produzir muitos frutos para o Reino de Deus.


Pe. Leomar Antonio Montagna

Presbítero da Arquidiocese de Maringá – PR