Uma Igreja de 60 anos


Data da Postagem: 13 de Março de 2017

Uma Igreja de 60 anos

Conheci um senhor que em tudo só via a busca de vantagem pecuniária. Para ele, o missionário, que deixa sua terra para enfrentar regiões distantes e sem conforto, não o faz pelo Evangelho, mas pelo interesse em ouro, prata, pedras preciosas..., que espera encontrar.

A ser isso verdadeiro, Dom Jaime foi um tolo saindo de Ribeirão Preto para se meter, em 24 de março de 1957, nesta boca de mato que era Maringá. Após 57 anos aqui, sua “fortuna” eram três carros populares usados.

Dois ele deixou para irmãs que cuidam de pobres; o corcel preto foi leiloado por 32,5 mil. Como tolos foram também seus sucessores, inclusive dom Anuar.

Ao autêntico bispo, sucessor dos Apóstolos, não interessam ouro, diamante, terras, prestígio, aplausos nem qualquer recompensa desse naipe. Sua missão é fundar ou continuar a Igreja de Cristo, comunidade de fé, de amor e de celebração do culto cristão. Como fazemos em Maringá neste final de março de 2017. São 60 anos de presença oficial da Igreja Católica entre nós.

A Igreja existe para evangelizar: essa é a sua mais profunda identidade. “Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na santa missa, que é o memorial da sua morte e gloriosa ressurreição” (Evangelii Nuntiandi 14).

Evangelizar é conduzir as pessoas no rumo do crescimento espiritual, sem descuido do aprimoramento cultural, moral, econômico e social de todo o povo da região onde a Igreja se faz presente.

Estes 60 anos dão testemunho da existência, entre nós, de uma Igreja voltada à evangelização de pessoas de carne e osso, participantes do mundo real e contraditório em que vivemos. Uma Igreja que jamais se cansou de incentivar padres, diáconos, religiosos e fiéis cristãos leigos a se inserirem nos desafios da sua comunidade em vista do bem-estar, da paz e da convivência harmônica entre os cidadãos.

A Igreja presente em Maringá, embora com falhas decorrentes da natureza humana, desde o início, procura fazer-se ouvir na defesa dos menos favorecidos e na luta por vida digna para todos.

Não em nome de ideologias nem de interesses políticos, mas pelo compromisso com o Evangelho de Cristo, enfrenta delicadas questões como o desemprego e a falta de oportunidades para as novas gerações; o déficit habitacional; as carências no campo da educação, da saúde e da segurança; o agronegócio que esmaga a agricultura familiar; o aviltamento de preço dos produtos agrícolas; a insegurança dos pequenos agricultores frente ao malogro de safras; o direito ao repouso dominical de cortadores de cana, no campo, e de comerciários, na cidade; a insegurança dos assentados do MST; a incerteza dos trabalhadores sazonais (boias-frias); a falta de indústrias de transformação que gerem mão-de-obra próxima ao produtor; o esvaziamento dos pequenos municípios; a exploração da mulher e do menor; a corrupção de muitos que detêm o poder em qualquer nível; a injusta retribuição do trabalho... e uma interminável série de inquietações suportadas pela maioria da população.

Se elas incidem sobre a vida de homens e mulheres preocupados com o bem de todos os cidadãos, aos membros da Igreja não são, de forma nenhuma, indiferentes.

Ao contrário: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (Lumen Gentium 1).


Padre Orivaldo Robles