Comunidade que partilha um amor solidário


Data da Postagem: 12 de Junho de 2017

Em tudo mostrei a vocês que é trabalhando assim que devemos ajudar os fracos, recordando as palavras do próprio Senhor Jesus, que diz: Há mais alegria em dar do que receber” (At 20,35). Neste caminho de amar os mais fracos na comunidade que vive a dinâmica de um Deus Amor em três pessoas, uma relação de amor que ultrapassa todos os cálculos humanos, só entenderemos na ação solidária da comunhão dos bens. A experiência do dízimo é uma prova de que o pouco repartido se torna muito e transforma as realidades mais desafiadoras. Uma comunidade que entende a dimensão do amor solidário, é uma comunidade que tem o olhar para os mais fracos e excluídos, que vê as necessidades dos outros e abre as mãos e o coração na comungando os bens materiais. O caminho é a partilha.

A experiência da partilha através da doação do dízimo, faz uma fé mais viva, uma esperança que não morre, um amor que não passa. O dízimo é um compromisso. Representa a nossa vontade de colaborar, de verdade, com o projeto de Deus neste mundo. O importante é entender que o dízimo não é esmola. O que é doado de boa vontade faz bem a quem dá e a quem recebe. Doação alegre e generosa faz do coração de cada cristão um missionário da fé, um evangelizador destemido, um trabalhador incansável para preparar no mundo o reino da dignidade, da vida, da fraternidade, o Reino de Deus. Todo gesto solidário é um gesto de entrega sem esperar nada e troca, nem de quem recebe e muito mais de Deus. Deus sabe do que precisamos.

Com Deus não tem barganha, não existe negociação, não se trata de troca de favores. A marca fundamental da doação de uma parte do que eu ganho, para os pobres e as obras da comunidade, não podem ser marcadas por interesses pessoais ou até mesmo forçar a bondade de Deus. A doação regular do dízimo será sempre parte dos meus ganhos mensais, enquanto que a oferta que faço durante as celebrações é uma partilha que me faz membro participante de uma comunidade celebrativa da vida cotidiana; uma manifestação de amor solidário. Tenho constatado pelas visitas nas comunidades paroquiais, nos resultados encontrados nos balancetes mensais que as comunidades são realmente generosas e fiéis. Existe um compromisso com a comunidade e com o doador de tudo o que temos e somos, por isso devolver a Deus nos pobres e necessitados um pouco do que temos. “De graça recebestes de graça também dai” (Mt.10,8).

Vejo que cada vez mais, os nossos cristãos católicos estão entendendo que que é preciso rezar, ir à missa ao menos aos domingos, encontrar a igreja limpa, aconchegante, iluminada,  um ambiente favorável para a oração. Também sentem que só o templo material não é suficiente para garantir uma fé verdadeira; é preciso as obras de caridade. “A Fé sem obras é morta” (Tg. 2,14). Nasce a exigência de uma partilha de bens e não uma contribuição espontânea  de vez em quando, ou uma vez por ano. Dizimo não é esmola. Tudo tem sentido quando a alma não é pequena, quando os bens estão a serviço da vida e não a vida a serviço dos bens. Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama a quem dá com alegria.” (2Cor 9,7). Boa semana!


Dom Anuar Battisti