Haiti, Brasil, política e caridade


Data da Postagem: 03 de Julho de 2017

 Este mês de julho o papa Francisco escolheu como intenção geral para toda a Igreja, rezar “para que a responsabilidade política seja vivida a todos os níveis como uma forma elevada de caridade”. A intencão geral  para a evangelização dos pobres da América é o testemunho do amor.

Assim pede o papa: “Para que, diante das desigualdades sociais, os cristãos da América Latina dêem testemunho do amor pelos pobres e contribuam para uma sociedade mais justa e fraterna”. Nos unamos neste mês julho às intenções do nosso querido papa, oferecendo nossas orações e nossos trabalhos de cada dia, para ajudar os líderes políticos  a terem mais responsabilidade e exercerem a missão a qual foram chamados como a mais alta forma de caridade.

O papa Paulo VI, nos anos 60, já nos ensinava que a política é a mais perfeita forma de vivermos o mandamento do Amor. O Amor liberta, partilha, constrói, promove a vida. Assim, a política como defesa e promoção do bem comum, justiça social, distribuição de renda, qualidade de vida, ética, emprego e salário, é o Amor concretizado, vivenciado na prática, transformado em realidade.

Não confundir, é claro, com assistencialismo e politicagens como a troca de favores, etc. Perseverando em sua missão de encarnar o Evangelho na História, estando no mundo mesmo sem ser do mundo (Cf Jo 17).

Estive em missão no Haiti no mês passado, acompanhando a comitiva do Ministério da Saúde, na inauguração de um hospital, construído e equipado, batizado com o nome de “Hospital Comunitário Dra. Zilda Arns”.

Essa mulher guerreira, fundadora da Pastoral da Criança, estava a trabalho com líderes, fundando a Pastoral, quando foi colhida pelo terremoto de 2010. Esse hospital é uma benção, salvando vidas de mães e crianças. Os médicos que dão assistência são de Cuba. Uma bela estrutura com capacidade para atender duzentas pessoas, prioritariamente crianças e gestantes.  Penso que isso é o mínimo que o Brasil pode e deve fazer. Se somos um pais com muitos problemas, não significa nada diante da pobreza e miséria que vivem os nossos irmão haitianos.

Neste sentido existem muitas iniciativas de assistência social, de promoção humana, organizadas por vários países. Muitas ações humanitárias das mais variadas procedências. Mas ainda é pouco para tanta miséria. Um exemplo maravilhoso e desafiante é a presença do Freis Franciscanos na Providência de Deus, que hoje cuidam também do nosso Albergue em Maringá. No Haiti é uma comunidade de três freis, um deles frei Afonso, sacerdote e dentista, maringaense. Eles fazem um trabalho de ação social e promoção humana fantástico. Em meio a todas as dificuldades, oferecem três mil pães diariamente, assistência médica dentária, formação humana e espiritual. Ao lado, trabalham irmãs religiosas com um colégio, em que formam as crianças gratuitamente.

Infelizmente, também no Haiti existe a chaga terrível da corrupção. Como fazer um mundo diferente, digno e justo para todos, quando os promotores do bem comum, não sabem viver os mandamentos da lei de Deus? Como acreditar num mundo melhor quando nós eleitores não temos a consciência de escolher pessoas que nós conhecemos e sabemos ser gente capaz de amar o próximo como a si mesmos? Precisamos nos abrir para a verdadeira transformação. Rezemos pelo Haiti, pelo Brasil. Boa semana!

 

  Dom Anuar Battisti