Os desafios do mundo urbanizado


Data da Postagem: 17 de Julho de 2017

Segundo o IBGE, hoje somos cerca de 207 milhões de brasileiros.  A estimativa de que 85% desta população vivem nas cidades. A cada dia se constata um verdadeiro inchaço das periferias, uma multiplicação cada vez maior de condomínios verticais e horizontais. Dentro dessa massa humana vivemos mergulhados em costumes, hábitos, culturas, religiões, crenças e ideologias diferentes. Como viver e sobreviver com equilíbrio e satisfação pessoal, dentro deste pluralismo, muitas vezes agressivo e excludente?

O padre Frederico Lombardi, analisando a visita do Papa Francisco à Ásia, fez o seguinte comentário: "O Papa busca o encontro. Fala sempre da cultura do encontro: as pessoas se encontram quando há uma verdadeira disponibilidade do coração, da mente, da pessoa na sua globalidade a acolher o outro, a entendê-lo e a acolhê-lo, acreditando que com o encontro se enriquece mutuamente, que se torna melhores e mais ricos de valores espirituais – e também eventualmente religiosos – do que antes de encontrar-se. Então o Papa diz aos bispos deste continente que o diálogo entre as várias culturas, as diferentes religiões, os vários povos é extremamente importante. Portanto, esta empatia significa capacidade também de sintonia, de entrar na mesma frequência e, consequentemente, entender-se quase instintivamente, porque o próprio ser é colocado em movimento para acolher o outro".   Esse me parece ser o maior desafio do mundo urbanizado.

Neste sentido a Igreja tem oferecido um caminho que vai contra a corrente do mundo individualista e fechado em si mesmo. A experiência das pequenas comunidades, das comunidades eclesiais de base, dos grupos de reflexão e oração, dos movimentos que promovem a interação entre as famílias e entre os jovens, onde o indivíduo se sente gente, pessoa, e não massa sem vida.

Na experiência de viver em relação, em contato, conhecendo e dando a conhecer-se, traz um novo sentido de viver, rompe com a solidão da selva de pedras que vivemos. Essa é a cultura do encontro que tanto Francisco tem falado. Precisamos sair da solidão em nome da privacidade, para encontrar o outro, na diversidade de cada um, para encontrar a verdadeira felicidade. Na medida em que me coloco em relação com o outro, na disposição de dar de mim, sem esperar nada em troca, nasce o verdadeiro amor e o gosto de viver.

Na visita ao Paraguai, o Papa Francisco respondendo uma pergunta sobre o diálogo disse: “O diálogo não é fácil e exige de nós a cultura do encontro; um encontro que sabe reconhecer que a diversidade não somente é boa, mas necessária, e deste modo, o ponto de partida nunca pode ser  ‘o outro está equivocado’. Não devemos temer ou ignorar os conflitos resultantes da cultura do encontro, mas aceitar, suportar o conflito, resolvê-lo e transformá-lo no elo de um novo processo, numa unidade que não cancela as diferenças, mas vive-as em comunhão por meio da solidariedade e da compreensão".

A base do encontro, é que todos somos irmãos, filhos de um mesmo Pai celestial e cada um, com sua cultura, língua, tradições, tem muito para dar à comunidade. São muitos os desafios, porém, todos serão menores se cada um de nós se convencer de que é nas relações humanas, no encontro das diferenças, que nos fará solidários na transformação da selva de pedras em jardim floridos pelos talentos e dons que cada um colocará em comum.

Aos que moram em condomínios, nos prédios, vamos ao encontro do vizinho. Vamos promover eventos, integração, confraternização. Vamos ao encontro. Evangelizar o mundo urbanizado é sair de casa, ir, conversar. Se fizermos isso, seremos uma sociedade mais saudável, com menos doenças, com mais paz. Boa semana e que Deus abençoe as nossas famílias.

Dom Anuar Battisti