Volta às aulas: uma educação transformadora


Data da Postagem: 31 de Julho de 2017

As curtas férias do meio do ano passaram e o retorno às aulas é uma rotina que envolve a família toda, os professores, as escolas e universidades abrindo as portas para mais uma etapa. Reiniciando a missão de educar, oferecendo ideais, conteúdos, formando valores, dando perspectivas para uma profissão realizadora de si mesmo e dos outros, quero recordar uma orientação de São João Bosco, que há duzentos anos pronunciou aos seus sacerdotes, cujo carisma é ainda hoje a educação.

Ele aconselhava seus sacerdotes: “A primeira atitude de um educador é o amor. É a estas figuras que vocês podem observar, professores cristãos, para animar o interior de uma escola. Seja ela de gestão estatal ou não-estatal, tem necessidade de educadores credíveis e testemunhas de humanidade madura e completa. Testemunho. E isso não se compra, nem se vende: se oferece.”

Em 2015, falando aos professores italianos o papa Francisco dizia: “Em uma sociedade que tem dificuldade de encontrar pontos de referência, é necessário que os jovens tenham na escola uma referência positiva. Ela pode sê-lo ou tornar-se tal se no seu interior houver professores capazes de dar um sentido à escola, ao estudo e à cultura, sem reduzir tudo unicamente à transmissão de conhecimentos técnicos, mas tendo por objetivo construir uma relação educativa com cada estudante, que deve sentir-se acolhido e amado por aquilo que é, com todos os seus limites e capacidades. Nesta direção a vossa tarefa é necessária como nunca. E vós deveis ensinar não só os conteúdos de uma matéria, mas também os valores e costumes da vida. As três cosias que deveis transmitir. Para aprender os conteúdos é suficiente o computador, mas para compreender como se ama, para compreender quais são os valores e os costumes que criam harmonia na sociedade é necessário um bom professor”.

Francisco vai além: “Ensinar é um trabalho lindíssimo, mas pena que os professores sejam mal pagos, porque não é apenas o tempo que gastam ali para fazer escola: depois têm de preparar-se, têm de pensar em cada um dos alunos, como ajudá-los a avançar. É verdade, é uma injustiça. É um trabalho lindíssimo, mal pago: é como ser pais, pelo menos espiritualmente. É também uma grande responsabilidade”, insistiu. “Sejam atentos às ‘periferias’, não abandonem os alunos mais difíceis. O dever de um bom professor, e mais ainda de um professor cristão, é amar com maior intensidade os seus alunos mais difíceis, mais fracos, mais desafortunados”.

Dizia ainda o papa: “Eu também fui professor. Desejo a todos um lindo caminho escolar, que faça crescer as três línguas que uma pessoa madura deve saber falar: a língua da mente, a língua do coração, a língua das mãos”.

Neste caminho da educação, nos sentimos todos comprometidos, seja na escola, na universidade,  em casa, na família, na comunidade, na Igreja, pois educação não acontece com pessoas fechadas numa sala.

Que Deus abençoe os professores, educadores, responsáveis pela organização dos estabelecimentos de ensino, nesta árdua missão de formar corações capazes de amar e ser amados.

 

Dom Anuar Battisti.