Uma luz para a Família


Data da Postagem: 22 de Janeiro de 2018

Muitos ainda vivem o período de férias. Como é bonito ver as famílias reunidas, descansando, conversando. Por outro lado, triste é ver famílias sem planos, sem esperança, sem atividades. Pais que não sabem ou não querem saber o que fazer com os filhos neste período. Ser família é ter agenda com a família. Tenho pensado muito nisso neste período de férias. Sempre com o objetivo de ajudar as famílias a refletirem sobre a vocação familiar, resgato aqui um texto de Chiara Lubich, escrito em maio de 1998, em Castel Gandolfo.

“A família e a espiritualidade da unidade. É uma temática muito importante e extremamente atual. A nossa sociedade tem sede de espiritualidade e de sagrado. Para esta sede o ser humano muitas vezes encontra respostas inadequadas ou nocivas. No entanto, a crise que vem se abatendo sobre a instituição familiar há muitos anos, é enfatizada e agravada por fatores muito preocupantes que minam desde a raiz a própria ideia de família; por exemplo, as experimentações selvagens da engenharia genética, o reconhecimento de todo o tipo de convivência, etc. Aumentam os órfãos de pais vivos, os filhos com vários pais.

A desorientação vai crescendo, acompanhada por uma profunda preocupação com as previsões futuras. E surge a pergunta: mas o que está acontecendo com a família? Onde se deterá a sua queda? Além disso, muitos têm estas dúvidas: será que a família existe mesmo ou é apenas uma forma de convivência ligada a um determinado padrão social? É uma invenção do homem ou está codificada no seu DNA? E, principalmente, onde ela pode encontrar o projeto que recupere a sua essência original? Quem nos dará essas respostas?

Quando pediram a Jesus para falar do matrimônio, Ele logo evocou como era no ‘princípio’. Jesus citou as palavras escritas nos primeiros capítulos do Gênesis que narram a criação, indicando assim onde poderíamos conhecer a verdade sobre o homem, sobre a mulher e sobre a relação de comunhão entre eles.

Portanto, também nestes dias devemos voltar a esse ‘princípio’ para receber as respostas que esperamos. ‘Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou’ (Gn 1,27). Quando Deus criou o ser humano, plasmou uma família, isto é, um homem e uma mulher chamados à comunhão ‘à imagem’ do mistério de amor que constitui o ser de Deus; chamados à fecundidade e a dominar toda a criação ‘à semelhança’ da inesgotável paternidade de Deus. ‘À luz do Novo Testamento é possível vislumbrar em Deus, no mistério trinitário de sua vida, o modelo originário da família’. Este foi o pensamento que João Paulo II exprimiu de modo admirável na sua Carta às famílias: ‘O Nós divino constitui o modelo eterno do nós humano, daquele nós que é formado pelo homem e pela mulher, criados à imagem e semelhança de Deus’. Portanto, a família, sinal, símbolo e tipo de todos os outros desígnios de Deus, reflete a mesma vida que existe na Santíssima Trindade: o Espírito, que une o Pai e o Filho num relacionamento de amor, através do sacramento une os esposos em uma renovada participação do amor trinitário. Portanto, o modelo da família existe; está escrito no nosso ser pessoas: é um modelo comunitário.

Existe o projeto de vida para a família; é o amor que liga o Nós divino, aquele mesmo amor que o Verbo trouxe sobre a terra: é um projeto comunitário. De certo modo é um modelo inacessível. Todavia Deus não nos teria criado para nos pedir coisas impossíveis. Ao longo dos séculos Ele traçou as estradas apropriadas à sensibilidade das pessoas e aos sinais dos tempos, para chegar à plena realização do seu desígnio. Nestes dias se falará, portanto, da nossa ‘espiritualidade comunitária’ ou ‘espiritualidade da unidade’ aplicada à vida familiar.

Tenho a convicção, baseada também nos testemunhos de muitas famílias de diversas culturas, de que a nossa espiritualidade é tão adequada à família que até parece ser ‘a espiritualidade típica’ para quem é chamado ao matrimônio. E por quê? Porque ela não é vivida apenas singularmente, mas comunitariamente, por várias pessoas juntas. Menciono só alguns dos seus pontos para evidenciar quanto são consoantes com muitas exigências dos homens e das mulheres de hoje, mas também para mostrar que, vivendo-a, é possível conformar a nossa convivência com a lei do céu.

Eu creio que os casais e as famílias podem saciar com esta espiritualidade a sua sede de autenticidade, de comunhão contínua e sem reservas, de valores transcendentes duradouros, sempre novos, porque é Deus, no mistério da sua vida trinitária, que passa e bate à porta de suas casas, para acender nelas uma lareira, para compartir com eles a Sua própria vida. Desejo que todos (dado que todos vivemos numa família) acolham este convite. Então teremos realmente famílias sadias e em flor e, graças a elas, também serão assim a sociedade e a humanidade. Embora em meio às contradições e às provações do dia a dia, poderemos viver realmente entre a terra e o céu.” (Chiara Lubich)

Vamos repensar nossas agendas com os nossos familiares. Que tal priorizar sua família?


Dom Anuar Battisti