Superar a violência com violência não resolve


Data da Postagem: 20 de Fevereiro de 2018

Na Quarta-feira de Cinzas, dia do lançamento da Campanha da Fraternidade, fomos visitar o Centro de Socioeducação (Cense), que atende adolescentes em conflito com a lei. Uma atitude ousada dos nossos leigos e leigas que organizaram o cerimonial. Na prática, foi uma atitude da “Igreja em Saída”, que tanto nos pede o Papa Francisco. Seria mais cômodo fazer o lançamento da CF na nossa sala de reuniões na cúria; mas fomos à periferia.

Esta periferia em que estão internos os adolescentes que cometeram algum delito, nos mostrou como estamos distantes do processo de ressocialização dessas pessoas. No final do evento, fomos chamados a abraçar cada um dos adolescentes. Vimos no rosto deles, a alegria em receber um abraço. Muitos talvez nunca receberam um verdadeiro abraço, uma palavra de paz, de força, de estímulo. Conclamo nossas comunidades a fazerem uma experiência concreta nesta quaresma.

Vamos visitar às prisões, o Cense, delegacias. Vamos promover a Cultura do Encontro, para que essas pessoas não voltem à criminalidade. Ou fazemos algo para evitar que estes adolescentes prossigam na universidade do crime, ou vamos todos sofrer as consequências. Compartilho aqui a mensagem do Papa Francisco, por ocasião da Campanha da Fraternidade.

“Queridos irmãos e irmãs do Brasil! Neste tempo quaresmal, de bom grado me uno à Igreja no Brasil para celebrar a Campanha ‘Fraternidade e a superação da violência’, cujo objetivo é construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência. Desse modo, a Campanha da Fraternidade de 2018 nos convida a reconhecer a violência em tantos âmbitos e manifestações e, com confiança, fé e esperança, superá-la pelo caminho do amor visibilizado em Jesus Crucificado.

Jesus veio para nos dar a vida plena (cf. Jo 10, 10). Na medida em que Ele está no meio de nós, a vida se converte num espaço de fraternidade, de justiça, de paz, de dignidade para todos (cf. Exort. Apost. Evangelii gaudium, 180). Este tempo penitencial, onde somos chamados a viver a prática do jejum, da oração e da esmola nos faz perceber que somos irmãos. Deixemos que o amor de Deus se torne visível entre nós, nas nossas famílias, nas comunidades, na sociedade.

‘É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação’ (1 Co 6,2; cf. Is 49,8), que nos traz a graça do perdão recebido e oferecido. O perdão das ofensas é a expressão mais eloquente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir. Às vezes, como é difícil perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração, a paz. Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança é condição necessária para se viver como irmãos e irmãs e superar a violência. Acolhamos, pois, a exortação do Apóstolo: ‘Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento’ (Ef 4, 26).

Sejamos protagonistas da superação da violência fazendo-nos arautos e construtores da paz. Uma paz que é fruto do desenvolvimento integral de todos, uma paz que nasce de uma nova relação também com todas as criaturas. A paz é tecida no dia-a-dia com paciência e misericórdia, no seio da família, na dinâmica da comunidade, nas relações de trabalho, na relação com a natureza. São pequenos gestos de respeito, de escuta, de diálogo, de silêncio, de afeto, de acolhida, de integração, que criam espaços onde se respira a fraternidade: ‘Vós sois todos irmãos’ (Mt 23,8), como destaca o lema da Campanha da Fraternidade deste ano. Em Cristo somos da mesma família, nascidos do sangue da cruz, nossa salvação. As comunidades da Igreja no Brasil anunciem a conversão, o dia da salvação para conviverem sem violência.

Peço a Deus que a Campanha da Fraternidade deste ano anime a todos para encontrar caminhos de superação da violência, convivendo mais como irmãos e irmãs em Cristo. Invoco a proteção de Nossa Senhora da Conceição Aparecida sobre o povo brasileiro, concedendo a Bênção Apostólica. Peço que todos rezem por mim.” (Papa Francisco).

Uma abençoada quaresma.

 

Dom Anuar Battisti