À Luz do Mestre


Data da Postagem: 07 de Maio de 2018

Domingo, dia 29 de abril, aqui neste espaço, publiquei um primeiro resumo da Exortação Apostólica sobre a chamada à santidade no mundo atual, Gaudete et exsultate. Hoje, trago mais um resumo que vai nos ajudar na caminhada rumo à santidade.

“Sobre a essência da santidade, podem haver muitas teorias, abundantes explicações e distinções. Uma reflexão do gênero poderia ser útil, mas não há nada de mais esclarecedor do que voltar às palavras de Jesus e recolher o seu modo de transmitir a verdade. Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo; fê-lo quando nos deixou as bem-aventuranças (cf. Mt 5, 3-12; Lc 6, 20-23). Estas são como que o bilhete de identidade do cristão. Assim, se um de nós se questionar sobre ‘como fazer para chegar a ser um bom cristão’, a resposta é simples: é necessário fazer – cada qual a seu modo – aquilo que Jesus disse no sermão das bem-aventuranças. A palavra ‘feliz’ ou ‘bem-aventurado’ torna-se sinónimo de ‘santo’, porque expressa que a pessoa fiel a Deus e que vive a sua Palavra alcança, na doação de si mesma, a verdadeira felicidade.

‘Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu’. Ser pobre no coração: isto é santidade. ‘Felizes os mansos, porque possuirão a terra’. Embora pareça impossível, Jesus propõe outro estilo: a mansidão. É o que praticava com os seus discípulos, e contemplamos na sua entrada em Jerusalém: ‘aí vem o teu Rei, ao teu encontro, manso e montado num jumentinho’ (Mt 21, 5; cf. Zc 9, 9). Reagir com humilde mansidão: isto é santidade. ‘Felizes os que choram, porque serão consolados’. O mundo propõe-nos o contrário: o entretenimento, o prazer, a distração, o divertimento. E diz-nos que isto é que torna boa a vida. O mundano ignora, olha para o lado, quando há problemas de doença ou aflição na família ou ao seu redor. O mundo não quer chorar: prefere ignorar as situações dolorosas, cobri-las, escondê-las. Gastam-se muitas energias para escapar das situações onde está presente o sofrimento, julgando que é possível dissimular a realidade, onde nunca, nunca, pode faltar a cruz. Saber chorar com os outros: isto é santidade.

‘Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados’. ‘Fome e sede’ são experiências muito intensas, porque correspondem a necessidades primárias e têm a ver com o instinto de sobrevivência. Há pessoas que, com esta mesma intensidade, aspiram pela justiça e buscam-na com um desejo assim forte. Jesus diz que elas serão saciadas, porque a justiça, mais cedo ou mais tarde, chega e nós podemos colaborar para o tornar possível, embora nem sempre vejamos os resultados deste compromisso. Buscar a justiça com fome e sede: isto é santidade.

‘Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia’. A misericórdia tem dois aspetos: é dar, ajudar, servir os outros, mas também perdoar, compreender. Mateus resume-o numa regra de ouro: ‘o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles’ (7, 12). Olhar e agir com misericórdia: isto é santidade.

‘Felizes os puros de coração, porque verão a Deus’. Nas intenções do coração, têm origem os desejos e as decisões mais profundas que efetivamente nos movem.  Manter o coração limpo de tudo o que mancha o amor: isto é santidade. ‘Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus’. Não é fácil construir esta paz evangélica que não exclui ninguém; antes, integra mesmo aqueles que são um pouco estranhos, as pessoas difíceis e complicadas, os que reclamam atenção, aqueles que são diferentes, aqueles que são muito fustigados pela vida, aqueles que cultivam outros interesses. Semear a paz ao nosso redor: isto é santidade.

‘Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu’. O próprio Jesus sublinha que este caminho vai contracorrente, a ponto de nos transformar em pessoas que questionam a sociedade com a sua vida, pessoas que incomodam. Jesus lembra as inúmeras pessoas que foram, e são, perseguidas simplesmente por ter lutado pela justiça, ter vivido os seus compromissos com Deus e com os outros. Se não queremos afundar numa obscura mediocridade, não pretendamos uma vida cómoda, porque, ‘quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la’ (Mt 16, 25).”

No portal do Vaticano, você leitor pode ter acesso a este belo documento na íntegra. Vamos aprender com os ensinamentos do nosso Papa Francisco. http://w2.vatican.va/content/vatican/

Uma abençoada semana para você e sua família!


Dom Anuar Battisti