Migrantes e o trabalho da Igreja


Data da Postagem: 25 de Junho de 2018

No território da Arquidiocese de Maringá temos a presença de mais de 5 mil migrantes oriundos de vários países. A Igreja está diretamente em contato com eles, oferecendo apoio espiritual e material. Nosso organismo que cuida dos migrantes é a ARAS, nossa Cáritas na Arquidiocese. Esta semana que se passou, celebramos a Semana Nacional do Migrante e no dia 20 de junho celebrou-se o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, instituído pelas Nações Unidas.

No Vaticano, o Papa Francisco concedeu uma entrevista ao jornalista Philip Pullella da agência de notícias Reuters e respondeu com muita clareza sobre o trabalho da Igreja com os migrantes, após ser provocado pelo ministro do Interior italiano.

“Philip Pullella: O navio Aquarius chegou à Espanha. Todo este episódio faz pensar que a Europa esteja desmoronando na questão da imigração. O ministro do Interior italiano criticou o senhor no passado dizendo-lhe para colocar os migrantes no Vaticano. Qual é a solução para o problema da migração?

Papa: Não é fácil, mas os populismos não são a solução. Vejamos a história. A Europa foi formada pela imigração. Vejamos a atualidade. Na Europa há um grande inverno demográfico. Ficará vazia. A história atual é que há pessoas que chegam em busca de ajuda. Acredito que não devemos rejeitar as pessoas que chegam, devemos receber, ajudar e organizar, acompanhar e, em seguida, ver onde colocá-las, mas em toda a Europa. A Itália e a Grécia foram corajosas e generosas ao acolher essas pessoas. No Oriente Médio, a Turquia também foi corajosa, o Líbano, a Jordânia. A um certo ponto, façamos todos, não? As pessoas fogem da guerra ou da fome.

Voltamos à fome. Na África, por que há fome? Porque no nosso inconsciente coletivo existe um lema que diz que a África deve ser explorada. Muitas vezes que se vai à África é explorá-la. Falei sobre isso com a Merkel e ela concorda que temos que investir na África, mas investir de maneira organizada, dando fontes de trabalho, não ir para explorá-la. Quando um país dá a independência a um país africano dá do solo para cima, mas o subsolo não é independente. Depois reclama porque os africanos famintos vêm para cá, há injustiças lá!

A Europa deve fazer um trabalho de educação e investimento na África para evitar a imigração na raiz. Alguns governos estão pensando bem. Depois é preciso acomodá-los conforme o possível,  mas criar psicose não é um remédio. E também há um problema. Nós mandamos de volta as pessoas que vêm. Essas pessoas terminam nas prisões dos traficantes.

Philip Pullella: Então o populismo não resolve. Papa: O populismo não resolve, mas o que resolve é o acolhimento, estudo, acomodação, prudência, porque a prudência é uma virtude do governo e o governo deve chegar a um acordo. Eu posso receber um certo número e acomodá-los. Existe o tráfico de escravos ali, os governos devem entender isso. Não é fácil o acolhimento, educação, integração na medida do possível, e não se pode procurar uma solução única. A primeira solução é investir no lugar quando não há guerra.

Philip Pullella: O que pensa da situação atual em que nos últimos meses cerca de 2.000 menores foram divididos das famílias, dos pais, na fronteira com o México? Papa: Eu apoio o episcopado. Que fique claro que nestas coisas eu respeito o episcopado.

Philip Pullella: O senhor sempre se preocupou com a imigração e a separação das famílias. Papa: Sim. É por isso que apoio o episcopado que trabalhou muito. Mas nos tempos de Obama, celebrei a missa em Ciudad Juárez, na fronteira, e do outro lado concelebraram 50 bispos, e havia muitas pessoas no estádio. Ali, já havia o problema, não é apenas de Trump, mas também dos governos precedentes.”

Rezemos pelos migrantes e abramos o nosso coração à esta realidade que está à nossa porta. Que Deus abençoe a nossa semana!


Dom Anuar Battisti