Vida, cavernas e oportunidades


Data da Postagem: 15 de Julho de 2018

Nestes dias o mundo todo estava de olho na caverna Tham Luang, na Tailândia. Uma experiência que mobilizou técnicos e especialistas em mergulho de todos os recantos do mundo. Movidos pela defesa da vida de doze jovens e o treinador, heróis do esporte, seres humanos clamando por vida.

Foram dias de angústia e de muita ciência para salvá-los devolvendo a eles os sonhos, os projetos, o futuro que buscavam um lugar nesse mundo tão imundo, que muitas das vezes mata sem sentido, aborta e despreza a vida humana.

Neste contexto, surgem muitas possibilidades de interpretar o caso da caverna da Tailândia. E também uso desse expediente aqui.

Somos levados pelas nossas fantasias e sentimentos  a construir um mundo impossível, lutar por sonhos muitas vezes inatingíveis, objetivos para heróis, esquecendo que a vida se faz dando passos com os pés no chão da vida e não nas nuvens dos nossos desejos.

Na maioria das vezes caímos em verdadeiras cavernas que não nos deixa olhar os horizontes, e assim a nuvem escura da busca não permite ver e aceitar o caminho da felicidade tão desejada. Quantas vezes na nossa míope visão ficamos enrolados e frustrados, e assim um leve sentimento de inutilidade nasce no coração decepcionado. O sentimento de que não valho mais nada, “sou inútil” é uma das causas de muitos suicídios.

Fomos feitos para sonhar com os olhos abertos, caminhar com os pés no chão da vida, buscando alcançar os objetivos de realização pessoal fazendo os outros pessoas realizadas. No velho ditado: “Sou feliz na medida que faço o outro feliz”. A experiência vivida no regate dos jovens atletas, foi coberta de felicidade e realização pessoal de todos que participaram e que acompanharam de longe o fato. Salvar uma vida é salvar a si mesmo. Devolver  à realidade concreta quem não via mais a luz, quem os sonhos fugiam de repente, quem perdeu toda a esperança, significa um novo nascimento, uma nova vida, um novo caminho de realização  pessoal, um novo modo de ser feliz.

Ninguém foi feito para viver prisioneiro. Somos pessoas livres e feitos para viver em liberdade. Essa conquista se faz com suor e dedicação, com garra e luta diária, na crença em Deus e na certeza de que somos centelhas do amor divino capazes de amar e transformar, começando por nós.  

Assim, longe o medo e o sentimento de derrota. Alguém venceu a morte e nos deu a verdadeira vida, por isso ninguém precisa viver sufocado nas cavernas fabricadas pela ingenuidade de sonhadores alienados. Somos pessoas chamadas à vida para deixar marcas de transformação, de promoção humana, de ambientes onde realmente vale a pena viver. A humanidade se uniu em oração pelos horóis da caverna. Que tenhamos a mesma força para rezar, para clamar, pelas crianças que estão por nascer, pelos nascituros, que muitas vezes são assassinados nas cavernas do ventre materno. Lutemos contra a cultura de morte. Queremos a vida.

Que o Senhor da vida e da história nos faça protagonistas de um mundo onde as cavernas sejam oportunidades e não o fim de tudo. Uma abençoada semana para você e sua família!


Dom Anuar Battisti