João Paulo II e o “político ideal”


Data da Postagem: 17 de Stembro de 2018

Neste tempo eleitoral cabe aos pastores das igrejas orientar o povo para o voto consciente. Essa missão é intrínseca ao anúncio da Boa Nova. Por isso, trago hoje uma catequese de João Paulo II, proferida em 30 de abril de 2003, intitulada “Programa de um rei fiel a Deus”. São João Paulo II, que tanto nos ensinou, faz um importante alerta sobre o “político ideal”, a partir do Salmo 100. Separei alguns trechos.

“Trata-se de uma meditação que traça o retrato do homem político ideal, cujo modelo de vida deveria ser o agir divino no governo do mundo: um agir regido por uma integridade moral perfeita e por um compromisso enérgico contra as injustiças. Este texto é proposto agora de novo como um programa de vida para o fiel que começa o seu dia de trabalho e de relações com o próximo. É um programa de "amor e de justiça" (cf. v. 1), que se desenvolve em duas grandes orientações morais.

A primeira é chamada ‘caminho da inocência’ e está orientada para a exaltação das opções pessoais de vida, feitas ‘com um coração integral’, isto é, com uma consciência perfeitamente reta (cf. v. 2).

Por um lado, fala-se de maneira positiva das grandes virtudes morais que tornam luminosa a ‘casa’, ou seja, a família do justo (cf. v. 2): a sabedoria que ajuda a compreender bem e a julgar; a inocência que é pureza de coração e de vida; e, por fim, a integridade da consciência que não tolera compromissos com o mal.

Por outro lado, o Salmista introduz um compromisso negativo. Trata-se da luta contra qualquer forma de malvadez e de injustiça, de maneira que se possa afastar da própria casa e das opções pessoais qualquer forma de perversão da ordem moral (cf. vv. 3-4).

Como escreve São Basílio, grande Padre da Igreja do Oriente, na sua obra O batismo, ‘nem sequer o prazer momentâneo que possa contaminar o pensamento deve perturbar aquele que se configurou com Cristo numa morte semelhante à sua’ (Obras ascéticas, Turim 1980, pág. 548).

A segunda orientação é desenvolvida na parte final do Salmo (cf. vv. 5-8) e esclarece a importância dos dotes mais tipicamente públicos e sociais. Também neste caso se enumeram os pontos fundamentais de uma vida que deseja recusar o mal com rigor e decisão.

Antes de mais a luta contra a calúnia e a denúncia secreta, um compromisso básico numa sociedade com tradições orais, que atribuía particular relevo à função da palavra nas relações interpessoais. O rei, que exerce também a função de juiz, anuncia que nesta luta usará a mais rigorosa severidade: exterminará o caluniador (cf. v. 5). Depois, é recusada qualquer forma de arrogância e soberba; é recusada a companhia e os conselhos de quem age sempre com o engano e com a mentira. Por fim, o rei declara de que forma escolherá os seus ‘servos’ (cf. v. 6), ou seja, os seus ministros. Terá a preocupação de os escolher entre ‘os fiéis do país’. Deseja rodear-se de povo íntegro e recusar o contacto com ‘aquele que fala mentiras’ (cf. v. 7).

O último versículo do Salmo é particularmente enérgico. Pode causar perplexidade no leitor cristão: ‘Em cada manhã julgarei severamente todos os ímpios da nação, para exterminar da cidade do Senhor todos quantos praticam o mal’ (v. 8). Mas é importante recordar-se de uma coisa: aquele que assim fala não é um indivíduo qualquer, mas o rei, responsável supremo da justiça no país. Com esta frase ele exprime de maneira hiperbólica o seu implacável compromisso de luta contra a criminalidade, um compromisso obrigatório, partilhado por todos os que têm responsabilidades na gestão pública.

Evidentemente não compete a cada cidadão esta tarefa de justiceiro! Por isso, se cada um dos fiéis quer aplicar a si próprio a frase do Salmo, deve fazê-lo em sentido analógico, isto é, decidindo extirpar todas as manhãs do próprio coração e do seu comportamento a erva daninha da corrupção e da violência, da perversão e da malvadez, assim como qualquer forma de egoísmo e de injustiça”.

Que estas palavras de São João Paulo II sejam fonte de luz para estes momentos que estamos vivendo. Que tenhamos força para mudar as nossas ações individuais e assim iluminar o Brasil. Vote consciente!


Dom Anuar Battisti