Agrotóxicos: o envenenamento da Casa Comum


Data da Postagem: 24 de Stembro de 2018

Fiquei assustado quando tive acesso às informações abaixo. Reproduzo um texto escrito pelo padre Emerson Cícero de Carvalho, da Aras-Cárias, sobre o consumo de agrotóxicos e suas consequências.

“A Arquidiocese de Maringá, através da ARAS/Cáritas, lança luz sobre uma questão de grande impacto socioambiental para a região de sua abrangência. Trata-se do altíssimo índice de consumo de Agrotóxicos e suas consequências para o equilíbrio e a saúde das comunidades locais.

O Brasil, desde o ano de 2008, é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas kg/litros por ano. O estado do Paraná, desde o ano de 2009, é o terceiro estado que mais utiliza agrotóxicos em sua agricultura. A quantidade utilizada no período de 2012 a 2014 representou uma média anual de 12,21Kg/ha, um consumo 34,9% maior que o apresentado para o estado do Rio Grande do Sul neste mesmo período. No ano de 2015 o consumo de agrotóxicos no Paraná foi de 100.572,8 toneladas, e os municípios pertencentes à Arquidiocese de Maringá consumiram um montante de 5.093,4 toneladas destes produtos, o que correspondeu a um aumento de 27,5% em relação ao ano de 2013.

Dos cincos municípios do Estado que apresentaram a maior relação entre o número de estabelecimentos que utilizaram agrotóxicos e o total de estabelecimentos do município, dois pertencem a nossa Arquidiocese: Floresta e Itambé. Dos quinze produtos mais consumidos no Paraná, quatro são proibidos na União Europeia (UE); em 2017, o segundo agrotóxico mais consumido foi o Paraquate, proibido desde 2009 na UE pelo altíssimo risco de contaminação, e por provocar morte devido a necrose dos rins e a morte das células dos pulmões.

A média nacional per capta do consumo de agrotóxicos por ano é de 7,3 litros e para o estado do Paraná esta média é de 8,7 litros. No ano de 2015, assustadoramente, 9 municípios da Arquidiocese tiveram médias superiores a 30 litros de agrotóxicos/pessoa/ano.

No Estado do Paraná são notificados, em média, 830 casos por ano de intoxicação por agrotóxicos, entretanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) estipula que para cada 1 caso notificado outros 50 são subnotificados. Entre os anos de 2013 e 2017 foram registrados 450 casos de intoxicação por agrotóxicos na Arquidiocese de Maringá, sendo, respectivamente, os municípios com maior incidência: Maringá, Marialva, Jandaia do Sul, Sarandi, Mandaguari, Bom Sucesso e Itambé.

Outro fator alarmante corresponde às causas de óbito. As neoplasias (tumores) ocupam a segunda posição dentre as causas de óbito no Paraná e apresentam taxas crescentes desde a década de 1990, onde 224 municípios do Paraná (56%) evidenciaram taxas superiores à média do estado. No ano de 2017 as neoplasias foram a maior causa de morte para os municípios de Doutor Camargo e Floresta, e a segunda maior para Jandaia do Sul, Mandaguaçu, Mandaguari, Marialva, Maringá, Marumbi, Paiçandu, Paranacity e Sarandi. Existem pesquisas científicas que comprovam outros efeitos nocivos causados por agrotóxicos, como a carcinogenicidade, toxicidade reprodutiva, neurotoxicidade, efeitos de desregulação endócrina e mutagenicidade. O glifosato, agrotóxico mais consumido pelo Paraná, foi classificado pela Organização Mundial de Saúde como provável cancerígeno”.

Diante da gravidade do assunto, convidamos toda a população para participar de uma Mesa Redonda sobre o uso de agrotóxicos, como forma de divulgar e incentivar a reflexão, contribuindo, assim, para a conscientização das comunidades cristãs e da sociedade civil sobre a urgência e a gravidade de tal temática. O evento será realizado dia 26 de setembro às 20h, no auditório Dona Guilhermina – Av. Tiradentes, 740 – Maringá. Contamos com você!


Dom Anuar Battisti