Os benefícios do perdão


Data da Postagem: 25 de Fevereiro de 2016

Os benefícios do perdão

“Deus é amor puro, por isso quando nos perdoa, cancela em seu coração a ofensa recebida. Vê-nos completamente novos. Esse tipo de amor regenera, dá nova vida. Não elimina a correção, mas esta é feita com tal amor, que somente o amor é visto e sentido. Experimentemos agir assim entre nós. Todos nós ofendemos e somos ofendidos. Propositalmente ou no calor da emoção. Além de saber pedir perdão, saibamos sobretudo perdoar. Perdoar e esquecer, como Deus faz. De nada adianta dizer ‘Te perdoo, se depois humilho o outro por causa de seu erro. O amor deve cobrir tudo. O erro deve ser condenado, mas o errante deve ser amado” (Apolônio).

A humanidade está vivendo uma das mais graves crises históricas, a falta de perdão. Isso ocorre na macro como na mini estrutura humana e social. Como entender o gesto tão expressivo de perdão e luta pela paz, quando o papa Francisco reúne no Vaticano os grandes líderes da Terra Santa para orar e se dar as mãos em busca da paz?

Jamais as decisões devem ser tomadas apenas em vista de quem errou. Tudo deve ser dirigido na direção da harmonia, do entendimento, do respeito pelos direitos dos seres humanos.

Todos nós passamos por momentos difíceis no relacionamento interpessoal. Sempre vai haver atritos e discordâncias, que quando bem vividos, enriquecem as reações. Nos conflitos e diferenças não basta somente pedir perdão, é necessário ter a coragem de perdoar. “Não existe pecado que Deus não perdoa”, afirma Francisco.

Deus perdoa, não porque é Deus e sim porque conhece o ser humano por dentro. Quem sabe ainda não nos conhecemos o suficiente para sermos capazes de estabelecer um relacionamento verdadeiro, compreendendo as diferenças, assumindo juntos as fraquezas humanas e superando os atritos, muitas vezes normais e necessários.

Neste domingo, temos diante de nós o ícone da Trindade. Solenemente celebramos a presença da Trindade Santa em nós e no caminho da comunidade cristã. Três Pessoas, Uma só. O relacionamento entre o Pai e o Filho é tão profundo que geram o Espírito Santo que é o amor, fazendo dos Três uma única Pessoa. O amor une, tira as diferenças, aproxima os corações, supera tudo. O elemento fundamental que caracteriza essa relação Trinitária é a unidade, a comunhão. No amor recíproco as diferenças não contam e sim a comunhão naquilo que nos une e não no que nos divide. Esse deve ser sempre o modelo para o nosso caminho como indivíduos e como comunidade. A Igreja é comunhão, é relacionamento trinitário, fruto do amor incondicional a todos.

Somente assim seremos capazes de mostrar ao mundo uma comunidade de verdadeiros discípulos de Jesus, capazes de dar e receber o perdão, frutos do amor recíproco. “Vejam só como eles se amam”. Essas palavras de Jesus são para todos nós um programa de vida. O mundo está cheio de palavras, mas precisamos ver e contemplar testemunhas do Mestre e Senhor que amam e perdoam sempre. Santíssima Trindade, rogai por nós!

 

Dom Anuar Battisti

Arcebispo de Maringá