Repúdio à violência


Data da Postagem: 25 de Fevereiro de 2016

“Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância” (Jo 10,10)

É lamentável o que fizeram com os professores paranaenses. Com que ânimo, e entusiasmo voltarão às salas de aula? Como os alunos irão recebê-los depois de tamanha violência?

Que expressão forte ao ler em notas emitidas após o crime contra os professores: “Hoje a paz foi derrotada”.  Com que motivação as autoridades paranaenses viverão o resto do mandato? Estão machados pela agressão aos homens e mulheres da educação.

Diante de interesses diferentes somente o diálogo verdadeiro poderá ser o caminho para soluções justas e acertadas. Todos nós, povo paranaense, rejeitamos todo conflito físico e violento. A cultura da paz da, a cultura da vida, justiça e do entendimento é hoje o imperativo determinante para uma sociedade pluralista com objetivos bem diferentes e até opostos.

Ficamos chocados com o fuzilamento do jovem brasileiro e paranaense na Indonésia e podemos dizer também que a educação no Paraná foi fuzilada pelo poder político. Infelizmente essa mancha ficará na história para sempre.

Gostaria que alguém me respondesse algumas perguntas:  Independentemente da infiltração de alguns interesseiros no movimento dos professores, o objetivo da manifestação dos professores é justa ou não?  Por que foi preciso pegar o dinheiro da previdência social dos servidores? Qual a destinação primeira deste fundo previdenciário?  Quem o fez e de onde veio o dinheiro para a previdência social dos professores e demais servidores?  Foram esgotadas todas as negociações para evitar um conflito de tamanha repercussão? O governo pode pegar o dinheiro adquirido  por várias gerações de educadores?  Somos um povo que acredita no diálogo franco e verdadeiro, na transparência e honestidade em qualquer setor da vida humana. A verdade vos libertará, disse Jesus. Precisamos da verdade.

Infelizmente, estamos longe da cultura da paz e da justiça social. Temos um longo caminho a percorrer para um estado democrático de direitos e deveres, para poder cantar o belo refrão do nosso hino: “Entre os astros do Cruzeiro, És o mais belo a fulgir Paraná, serás luzeiro! Avante, para o porvir!

Como cristãos é hora de implorar ao Senhor e Príncipe da paz, cuja mensagem fundamental foi o amor e a justiça. É hora do Brasil e do Paraná dobrarem os joelhos e clamar aos céus para que o Reino de Deus venha entre nós. Como disse o Papa Francisco aos jovens na Jornada Mundial da Juventude: “Que ninguém vos roube a esperança! “Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há sempre uma opção possível: o diálogo”.

Dom Anuar Battisti