Misericórdia, tolerância e perdão


Data da Postagem: 25 de Fevereiro de 2016

Neste segundo domingo de Páscoa, também batizado pelo Papa São João Paulo II como o domingo da misericórdia, voltamos o nosso olhar para o coração misericordioso de Jesus, que livremente aceitou dar a vida resgatando-nos de nossas misérias pela misericórdia.

Nas suas homilias diárias, o Papa Francisco comentando a passagem da pecadora surpreendida em adultério faz um grande esclarecimento que nos comove: “A misericórdia vai além, faz a vida de uma pessoa de tal modo que o pecado é colocado à parte. É como o céu. Nós olhamos para ele e vemos tantas estrelas, mas quando vem o sol, pela manhã, com tanta luz, não as vemos mais. Assim é a misericórdia divina: uma grande luz de amor, de ternura. Deus perdoa não com um decreto, mas com um carinho, acariciando as nossas feridas do pecado. É grande a misericórdia de Deus, é grande a misericórdia de Jesus. Ele nos perdoa e nos acaricia.”

Por isso Jesus diz: vai em paz e não peques mais. “Queria somente dizer uma das palavras mais bonitas do Evangelho que me comove tanto: ‘Ninguém te condenou?’ – ‘Não, ninguém, Senhor’ – ‘Nem eu te condeno’. Nem eu te condeno: uma das palavras mais bonitas porque está cheia de misericórdia”.

Para fazer a experiência concreta da Misericórdia Divina é preciso fazer memória das palavras de Jesus no fato da Ressureição de Lázaro: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca mais morrerá”.

Seguindo a Palavra do Senhor, nós acreditamos que a vida daqueles que acreditam em Jesus e seguem o Seu mandamento, depois da morte será transformada NUMA vida nova, plena e imortal. Ele está à espera de nós junto do Pai, e a força do Espírito Santo, que O ressuscitou dos mortos, também ressuscitará aqueles que estão unidos a Ele.

Diante do túmulo lacrado do amigo, Jesus bradou com voz forte: “Lázaro, sai para fora!”. O morto saiu, com os pés e as mãos enfaixados com ligaduras, e o rosto envolvido num sudário.

Este grito decisivo é dirigido a cada homem, porque todos nós somos marcados pela morte; é a voz d’Aquele que é o senhor da vida e quer que todos “a tenham em abundância”. Cristo não se resigna aos túmulos que construímos para nós com as nossas opções do mal e da morte.

Ele nos convida, quase nos ordena, a sair do túmulo em que os nossos pecados nos afundaram. Chama-nos com insistência para sairmos da escuridão da prisão em que nos fechamos, para nos contentarmos com uma vida falsa, egoísta, medíocre. Ao grito do Senhor “Sai para fora!”, deixemo-nos, pois, agarrar por estas palavras que Jesus hoje repete a cada um de nós. Deixemo-nos libertar das “faixas” do orgulho.

A nossa ressurreição começa daqui: quando decidimos obedecer à ordem de Jesus, vinde à luz, à vida; quando da nossa face caem as máscaras e reavemos a coragem da nossa face original, criada à imagem e semelhança de Deus.

A misericórdia de Deus não tem limites, é oferecida a todos. Jesus misericordioso continua gritar a todos nós para que saiamos para fora do túmulo dos nossos pecados, e assim, somos lançados na vida nova, da graça conquistada na Páscoa.

O mundo está morrendo de sede e fome do amor misericordioso do Criador. Por isso o Papa Francisco anunciou um ano da “Misericordia”. Estamos fartos de guerras e destruição, já não suportamos a violência. Agora é a hora da misericórdia , da tolerância e do perdão.

Boa semana, cheia de misericórdia.

Dom Anuar Battisti é arcebispo de Maringá-PR