Paz e diversidade religiosa


Data da Postagem: 25 de Fevereiro de 2016

Estamos vivendo tempos de uma enorme diversidade religiosa, não só de origem cristã. E neste caminho difícil de aceitar-se mutuamente e viver o respeito e a liberdade religiosa, assistimos com frequência gente matando em nome de Deus.

Infelizmente há muitos cristãos se declarando donos da verdade, “garantindo” o Paraíso a todos que neles acreditarem. Para esses, todos os demais estarão condenados para sempre no fogo do inferno. Infelizmente a discriminação religiosa tem causado danos na vida de inúmeras pessoas.

Com a missão de quebrar este preconceito, de romper com o grave muro de divisão entre cristãos e não cristãos, o Papa Francisco, na semana passada foi visitar a Turquia, Constantinopla, berço do cristianismo e hoje predominantemente islâmica.

No encontro com líderes muçulmanos e cristãos o Papa disse: “Na verdade, as boas relações e o diálogo entre líderes religiosos revestem-se de grande importância. Constituem uma mensagem clara dirigida às respectivas comunidades, manifestando que, apesar das diferenças, são possíveis o respeito mútuo e a amizade. Esta, além de ser um valor em si mesma, adquire significado especial e importância acrescida num tempo de crises como o nosso; crises que se tornam, em algumas áreas do mundo, verdadeiros dramas para populações inteiras”.

Na mesma ocasião, o Papa Francisco afirmou: “Como chefes religiosos, temos a obrigação de denunciar todas as violações da dignidade e dos direitos humanos. A vida humana, dom de Deus Criador, possui um carácter sagrado. Por isso, a violência que busca uma justificação religiosa merece a mais forte condenação, porque o Onipotente é Deus da vida e da paz. O mundo espera, de todos aqueles que afirmam adorá-Lo, que sejam homens e mulheres de paz, capazes de viver como irmãos e irmãs, apesar das diferenças étnicas, religiosas, culturais ou ideológicas”.

Francisco, acreditando no caminho da unidade lembra a todos os líderes: “Nós, muçulmanos e cristãos, somos depositários de tesouros espirituais inestimáveis, entre os quais reconhecemos elementos de convergência, embora vividos segundo as tradições próprias: a adoração de Deus misericordioso, a referência ao patriarca Abraão, a oração, a esmola, o jejum… elementos que, vividos sinceramente, podem transformar a vida e dar uma base segura para a dignidade e a fraternidade dos homens. Reconhecer e desenvolver o diálogo inter-religioso, ajuda-nos também a promover e defender, na sociedade, os valores morais, a paz e a liberdade. O reconhecimento conjunto da sacralidade da pessoa humana sustenta a compaixão comum, a solidariedade e a ajuda efectiva aos mais atribulados”.

O Papa conclamou a todos para uma aproximação cada vez maior através do diálogo inter-religioso criativo e vivido nas mais variadas formas. Esse Caminho, não é fácil de compreender. Mas aqui em Maringá, há mais de dez anos, existe essa experiência bonita, do diálogo entre as grandes religiões. Confesso que aqui tem sido mais fácil dialogoar com os não cristãos do que com os cristãos. Infelizmente, o proselitismo e o “sentir-se donos da verdade” são os grandes obstáculos para o diálogo e de uma caminhada juntos. Desejo que todos nós cristãos possamos, um dia, viver o desejo de Jesus: “Que todos sejam um para que o mundo creia” (Jo, 17).

Dom Anuar Battisti