Tempo de luz


Data da Postagem: 25 de Fevereiro de 2016

Estamos em tempos de preparação para o Natal, chegada do nosso Senhor Jesus, Verbo encarnado que nasce de forma tão humana que chama a atenção de todos.

Pobre, humilde, sem casa, sem segurança nenhuma, com um coxo de palhas e alguns animais para aquecer aquela noite fria de Belém. Neste tempo muitas ações de caridade são feitas, e todos gostam de ajudar, de dar presente, de fazer uma criança feliz. Dar coisas é fácil. O difícil é doar-se, comprometendo-se com a vida do outro.

Que bom seria, se depois de mais de 2 mil anos, o Natal deixasse de ser apenas troca de presentes, sem compromisso na promoção da vida e da dignidade.

Recentemente, em uma homilia na missa na capela da Casa Santa Marta, onde o Papa reside, Francisco advertiu os fiéis para não se tornarem cristãos mornos, acomodados ou de aparência.  Os cristãos devem sempre atender ao chamado de Jesus à conversão, para não passarem de pecadores a corruptos. Cristãos que vivem a “espiritualidade da comodidade”. Quem vive assim, pensa que não lhe falta nada, que está bem, pois vai à missa aos domingos e reza de vez em quando. “Estou na graça de Deus e sou rico”, isso basta! Não é possível ser e viver como cristão de aparência, cristãos de fachada.

O chamado à conversão de Zaqueu, “chefe dos publicanos e rico”. Era um como muitos dirigentes que nós conhecemos: corruptos. Esses que, ao invés de servir ao povo, o exploram para servir a si mesmos. O Espírito Santo semeou a semente da curiosidade, e aquele homem para vê-lo, sobe numa árvore para observar uma procissão. Zaqueu, “não teve vergonha”. Queria ver Jesus e “dentro trabalhava o Espírito Santo, e a Palavra de Deus entrou naquele coração e, com a Palavra, entrou a alegria e este corrupto a recebe imediatamente, “o coração muda, se converte”. E assim Zaqueu promete devolver quatro vezes o que roubou.

A Palavra de Deus é capaz de mudar tudo, mas nem sempre temos a coragem de crer na Palavra de Deus, de receber a Palavra que nos cura por dentro. O Papa disse: “Pensemos muito, muito seriamente, na nossa conversão, para que possamos avançar no caminho da nossa vida cristã”. Natal é deixar a Palavra frutificar em nós, é deixar o comodismo, as aparências, a falsidade, e mergulhar no amor de Deus, em Jesus Salvador, o Homem de Nazaré. Natal é a festa do amor. Não dá mais para ser cristãos de fachada, de momentos, como desencargo de consciência.

Esse tempo que chamamos de Advento, expectativa, espera, é uma grande chance para retomar o nosso discipulado de Jesus, encarnando em nós a sua disciplina. Todo mestre quer ver seus discípulos segundo a sua doutrina, caso contrário, não é reconhecido como discípulo.  Mais cedo ou mais tarde, vamos nos deparar com a realidade de deixar este mundo. A pergunta que deverá ser feita: O que deixei como marca, para um mundo mais humano e cristão?  Desejo a todos, que este Natal, seja um verdadeiro renovar de nosso compromisso cristão, um exame de consciência diante da vida presente. Desde já, feliz e abençoado Natal a todos vocês!

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá