Chamados à vida plena


Data da Postagem: 25 de Fevereiro de 2016

Na Igreja Católica, o mês de agosto é tradicionalmente dedicado para a promoção e oração pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias e matrimoniais. Começamos a primeira semana rezando pelas vocações sacerdotais. A segunda semana dedicamos às famílias com a celebração da Semana Nacional da Família. Já a terceira recordamos as vocações à vida consagrada e religiosa e concluímos o mês orando e celebrando a vocação dos leigos e leigas, de todos os batizados, chamados a viver o seu batismo nas estruturas do mundo.

A Comissão para os Ministérios Ordenados e Vida Consagrada da CNBB escolheu a seguinte frase como tema para os trabalhos este ano: “Chamados à vida plena em Cristo”; lema “Eis que faço novas todas as coisas!” (Ap 21,5).

Todo o trabalho vocacional nasce do pedido de Jesus: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe” (Mt 9, 35-38)

O grande trabalho pelas vocações está em dobrar os joelhos e rezar para que não faltem pastores a conduzir o rebanho. Não podemos nos assustar com o tamanho da missão e nem com os desafios que dela provem, e sim confiar em Deus, em Jesus o missionário do Pai, e servir, sem buscar privilégios.

Depois de ter feito tudo só resta dizer: “Somos servos inúteis, fizemos o que deveríamos fazer” (Lc 17,10). É nesta perspectiva que se moldura a vocação presbiteral, que só tem sentido no serviço gratuito, generoso e totalitário. Fora desta dimensão o presbítero se transforma em funcionário do sagrado, servindo à Igreja como se fosse uma ONG. Vários pronunciamentos o Papa Francisco fazem referência a esse grave perigo que todos nós, presbíteros e bispos podemos cair.

Em maio deste ano na sua mensagem para o dia mundial de oração pelas vocações o Papa Francisco dizia: “Embora na pluralidade das estradas, toda a vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus.

É “um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Senhor e de serviço a Ele nos irmãos e nas irmãs”. Por isso, todos somos chamados a adorar Cristo no íntimo dos nossos corações (cf. 1 Pd 3, 15), para nos deixarmos alcançar pelo impulso da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo”.

Vocação é chamado, para uma vida de doação, se não for assim, perde o sentido, seja na vida religiosa ou conjugal, no amor-doação, na gratuidade em dar sem esperar nada em toca, tudo frutifica e dá sentido à vida.

O nosso querido Francisco afirma: “A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno. Porventura não disse Jesus que ‘por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros’” (Jo 13, 35)? No amor doação, está o sentido e o valor de uma vida consagrada, como presbítero, religioso, religiosa ou na vida matrimonial.

O nosso único modelo é Jesus, o Bom e Amado Pastor, que veio para dar a vida, chamar a cada um pelo nome, e nos levar para águas tranquilas, pastagens verdes e terminar na cruz. Nunca fazendo a própria vontade e sim a vontade Daquele que chamou e enviou em missão. Vamos continuar rezando pelas vocações, dizendo todos os dias: “Enviai Senhor operários para a vossa messe”. Amém. Boa semana! Compartilhe o nosso artigo na página www.arquidiocesedemaringa.org.br Boa semana!

 

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR