Tempos de decisões


Data da Postagem: 25 de Fevereiro de 2016

Era uma vez um rei que queria pescar. Ele chamou o seu meteorologista e pediu-lhe a previsão do tempo para as próximas horas. Este lhe assegurou que não iria chover. A noiva do monarca vivia perto de aonde ele iria e colocou sua roupa mais elegante para acompanhá-lo. No caminho, ele encontrou um camponês montando seu burro que viu o rei e disse: “Majestade, é melhor o senhor regressar ao palácio porque vai chover muito”.

O rei ficou pensativo e respondeu: “Eu tenho um meteorologista, muito bem pago, que me disse o contrário. Vou seguir em frente”. E assim fez. Choveu torrencialmente. O rei ficou encharcado e a noiva riu-se dele ao vê-lo naquele estado. Furioso, o rei voltou para o palácio e despediu o meteorologista.

Em seguida, convocou o camponês e ofereceu-lhe emprego. O camponês disse: “Senhor, eu não entendo nada disso. Mas, se as orelhas do meu burro ficam caídas, significa que vai chover”. Então, o rei contratou o burro. E assim começou o costume de contratar burros para trabalhar junto ao poder.

Os sábios e as fábulas têm sempre um recadinho certo na hora certa, e diante desta fábula podemos dizer: Qualquer semelhança é mera coincidência. Mas a qualidade de burro pode ser atribuída ao contratado como aquele que contratou. Pois a burrice está tão solta que não se sabe bem onde ela predomina. E agora José? Estamos indo para o final do mundial de futebol, entre glórias e festas, entre férias e feriados, gritos e bebedeiras, acidentes e mortes, mas tudo é festa. Até quando?

Estamos sendo avisados de que festa por festa, sem reflexão e atitudes de iniquidade resultam em consequências desastrosas.

Tudo passa. As festas, os estádios cheios, os nervosismos da prorrogação e pênaltis, enfim tudo terá um fim. O que será melhor para nós e para o Brasil? Faço o paralalelo da festa do futebol com os próximos capítulos da nossa história.

Ao mesmo tempo em que tudo é verde, amarelo, azul e branco, dando e vendendo patriotismo nunca visto, na surdina e na mídia aparecem os salvadores da pátria amada e idolatrada.

Já estamos mergulhados em um processo eleitoral que se mostra complicado. Tenho ouvido constantemente dúvidas como: “Em quem votar? Qual o melhor? Vale a pena ir às urnas?”

Não podemos esquecer que patriotismo vai muito além de futebol. É também depositar o voto consciente e livre nas urnas. Confiar e acreditar, depois de uma análise criteriosa.

Não podemos esquecer-nos da palavra do profeta Jeremias: “Maldito o homem que confia no homem” (Jer 17,5). Toda escolha tem suas consequências, por isso no que dependerá de nós, a escolha deve ser sempre pessoal, por isso, consciente; livre de toda influência externa, porque voto não tem preço, e sim consequências.

Antes das nossas decisões devemos invocar o Espírito Santo. Só o Espírito Santo é capaz de nos mostrar claramente quem é joio e quem é trigo neste processo todo. Antes de votar, rezemos. E depois de rezar, vamos à campo. É preciso conhecer os candidatos, suas propostas, seus partidos, o que pensam e principalmente o que fizeram.

Esta junção de fé e ação é primordial para que façamos boas escolhas. E cada vez mais estou convencido de que no campo da política precisamos de uma ação imediata do Espírito Santo, para que tenhamos governos éticos, decentes e que promovam o bem comum.

Vamos fazer a nossa parte. Que Deus abençoe você e sua família. Seja você o trigo, o sal da terra, a luz do mundo. Assim já teremos uma sociedade muito melhor.

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR