A Igreja e o Turismo


Data da Postagem: 25 de Fevereiro de 2016

Dia 27 de setembro, em que celebramos o Dia Mundial do Turismo, quero partilhar algumas ideias que o Pontifício Conselho para o Turismo do Vaticano enviou para todas as Igrejas. Diz o texto: “Queremos concentrar-nos sobre as oportunidades e os desafios lançados pelas estatísticas e por isto faremos nosso o tema que a Organização Mundial do Turismo propõe: ‘Mil milhões de turistas, mil milhões de oportunidades’.

Na última encíclica, papa Francisco convida-nos a nos aproximarmos da natureza com ‘a abertura para a admiração e o encanto’, falando ‘a língua da fraternidade e da beleza na nossa relação com o mundo’ (Laudato si’, n. 11). Eis a justa abordagem a adotar em relação aos lugares e aos povos visitados. É esta a estrada para aproveitar mil milhões de oportunidades e fazê-las frutificar mais ainda.

As empresas do setor são as primeiras que se devem engajar na realização do bem comum. A responsabilidade das empresas é grande. Objetivo final não deve ser tanto o lucro, mas a oferta ao as condições para alcançar aquela experiência vital de que está procurando. Os Governos devem garantir o respeito às leis e adotar novas, oportunidades que tutelam a dignidade das pessoas, das comunidades e do território. As comunidades locais são chamadas a abrir às suas fronteiras ao acolhimento de quem chega de outros Países. Dar hospitalidade leva frutificar as potencialidades ambientais, sociais e culturais, criar novos empregos, desenvolver a identidade própria e valorizar o território.

Na viagem nasce a necessidade de afastar-se do mundo virtual, tão capaz de criar distâncias e conhecimentos impessoais, e de redescobrir a genuinidade do encontro com o outro. E a economia da partilha tem a capacidade de tecer uma rede mediante a qual se incrementam humanidade e fraternidade capazes de gerar um intercâmbio equitativo de bens e de serviços.

É indispensável que a Igreja saia e se faça próxima aos turistas para oferecer uma resposta apropriada e pessoal a sua busca interior; ao abrir o coração ao outro, a Igreja torna possível um encontro mais autêntico com Deus. Tarefa da Igreja é também a de educar a viver o tempo livre. O Santo Padre lembra-nos que ‘a espiritualidade cristã integra o valor do repouso e da festa’ (Laudato si’, n. 237).

Não podemos, esquecer a convocação feita pelo papa Francisco ao anunciar o Ano Santo da Misericórdia.Devemos questionar-nos sobre como a pastoral do turismo e das peregrinações pode ser um âmbito para ‘experimentar o amor de Deus que consola, que perdoa e dá esperança’ (Misericordiae vultus, n. 3). Sinal peculiar deste tempo jubilar será, sem dúvida, a peregrinação (cf. Misericordiae vultus, n. 14).A Igreja e as instituições devem, no entanto, ser sempre vigilantes a fim de evitar que mil milhões de oportunidades se tornem mil milhões de riscos.

Mil milhões de oportunidades também para o ambiente. ‘Todo o universo material é uma linguagem do amor de Deus, do seu carinho sem medida por nós. O solo, a água, as montanhas: tudo é carícia de Deus’ (Laudato si’, n. 84). Entre turismo e ambiente há uma íntima interdependência. Muitas vezes fingimos não ver o problema. ‘Este comportamento evasivo serve-nos para mantermos os nossos estilos de vida, de produção e consumo’ (Laudato si’, n. 59). Mas é necessário, e certamente mais importante, também uma mudança nos estilos de vida e nas atitudes. ‘A espiritualidade cristã propõe um crescimento na sobriedade e uma capacidade de se alegrar com pouco’ (Laudato si’, n. 222).

O setor turístico pode ser uma oportunidade melhor, mil milhões de oportunidades também para construir estradas de paz. O encontro, o intercâmbio e a partilha favorecem a harmonia e a concórdia. Mil milhões de ocasiões para transformar a viagem em experiência existencial. Mil milhões de oportunidades para nos tornarmos artífices de um mundo melhor, conscientes da riqueza carregada na mala de cada viageiro. Mil milhões de turistas, mil milhões de oportunidades para nos tornarmos ‘os instrumentos de Deus Pai para que o nosso planeta seja o que Ele sonhou ao criá-lo e corresponda ao seu projeto de paz, beleza e plenitude’. (Laudato si’, n. 53)

Dom Anuar Battisti

Arcebispo de Maringá

Referencial da Pastoral do Turismo da CNBB