Fujamos da tranquilidade


Data da Postagem: 20 de Novembro de 2016

Diante da vida que temos e dos compromissos do dia a dia existe a tendência de fazer as coisas por fazer. Como também o nosso compromisso de fé, o nosso ser gente, destinados para outra vida, podemos também viver de forma a cumprir tabela, viver de ritos e de rituais. 

São João no Apocalípse alerta os membros da comunidade dizendo: “Conheço a tua conduta. Tens fama de estar vivo, mas estas morto. Acorda! Reaviva o que te resta, e que estava para se apagar! Pois não acho suficiente aos olhos do meu Deus aquilo que estás fazendo. Lembra-te daquilo que tens aprendido e ouvido. Observa-o. Converte-te” (Apocalipse 3,1-3).

O papa Francisco se referindo a este texto diz: “De facto, pode-se aplicar a todos os cristãos que não são nem frios nem quentes: são mornos. São águas tranquilas, sempre. Porque és água tão tranquila, não te moves, és morno, vou vomitar-te. Esta é a situação quando a tepidez entra na Igreja, numa comunidade, numa família cristã e ouve-se dizer: ‘Não, tudo está tranquilo, por aqui está tudo bem, somos crentes, praticamos boas ações’; quando, isto é, tudo está ‘engomado’ e ‘sem consistência’ e com a primeira chuva desmancha-se”.

O mundo calma por testemunhos, a sociedade, a igreja, a família clamam por pessoas marcadas por um estilo de vida coerente com o evangelho vivido. O comodismo, a inércia social, o sentimento de que tudo está tranquilo, o ritualismo religioso, tenta dizer que Deus não existe. Assim se expressou o papa: “De facto, sente-se seguro: ‘Sou rico, de nada necessito. Estou tranquilo’. Isto é, é vítima da ‘tranquilidade que engana’. Contudo, quando na alma de uma Igreja, de uma família, de uma comunidade, de uma pessoa, está sempre tudo tranquilo, Deus não está presente. Estejamos atentos para não caminhar assim na vida cristã”.

Portanto, diante do morno o Senhor diz-lhe: “Reanima, pois, o teu zelo e arrepende-te!” Lê-se ainda no Apocalipse: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo”. 

O papa insiste:  “É importante, a capacidade de ouvir quando o Senhor bate à nossa porta porque deseja oferecer-nos algo de bom, quer entrar na nossa casa”. Infelizmente há cristãos que não se dão conta quando o Senhor bate. O Senhor bate e diz: “Sou eu, não tenhas medo. Quero entrar, permanecer contigo, cear contigo. Isto é, fazer festa, consolar-te”.

É hora de desperta do sono, de tudo que está tranquilo, é preciso sair do comodismo, da tranquilidade de quem tira o corpo fora. É urgente abrir as mãos e o coração e fazer do nosso ser cristão um compromisso de transformação pessoal e comunitária cada vez mais radical.

 

Dom Anuar Battisti