Reflexão: Liturgia do XXIII Domingo do Tempo Comum, Ano C – 08/09/2019

03 de Stembro de 2019

"Reflexão: Liturgia do XXIII Domingo do Tempo Comum, Ano C – 08/09/2019"

Disposições e exigências para o seguimento

Na Liturgia deste Domingo, XXIII do Tempo Comum, veremos, na 1a Leitura (Sb 9, 13-18), que a verdadeira sabedoria vem de Deus, só nele encontramos o sentido da vida. É a sabedoria que nos faz conhecer os desígnios de Deus e as coisas em sua ordem de importância. Ser sábio não é só tirar nota dez na escola e tirar zero na vivência comunitária, na caridade e no serviço aos irmãos, ser sábio é sobressair-se bem diante dos desafios da vida; o mundo de hoje carece muito dessa sabedoria.

Na 2ª Leitura (Fm 9b-10.12-17), o apóstolo Paulo nos esclarece sobre a ação social da Igreja e as consequências do seguimento de Jesus. As verdadeiras transformações na ordem socioeconômica não são as que se realizam na violência, mas as que procedem de profundas convicções em vista da fé.

Paulo intercede em favor de um escravo fugitivo (Onésimo), junto a seu dono (Filêmon); ele não pensava numa sociedade sem escravos, mas, em muitos gestos, aboliu a diferença entre senhor e escravo, judeu e grego, homem e mulher. Enfim, Paulo tem a consciência de que Jesus histórico é o mesmo da Palavra, do sacrário, e é o mesmo que vive nos irmãos.

No Evangelho (Lc 14, 25-33), Jesus nos ensina que ser discípulo implica rupturas e disposição para enfrentar conflitos com as forças que se opõem a sua proposta de vida e liberdade. O desapego pressupõe riscos e o seguimento poderá nos levar a contrariar alguém por defendermos a justiça e a verdade. Para alcançar o reino de Deus é indispensável obedecer ao chamado de Jesus, mas cada um deve avaliar as próprias forças e se decidir para não desanimar no caminho, isto é, ser realista, não ter ilusões. “Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do testemunho que deram; diante da morte, não amaram a própria vida” (Ap 12, 11). As exigências de Cristo aos seus discípulos são radicais, só assim serão dignos Dele. Devem decidir-se por Cristo, mesmo à custa de perder o afeto dos familiares e enfrentar uma vida crucificada, pois o morrer é que faz germinar a vida em sua plenitude. A dignidade do discípulo está no fato de, nele, estar presente o Cristo, embora seja uma frágil criatura. O que conta e deve ser vivida de forma absoluta é sua fé em Cristo.

O discípulo de Cristo deve estar imbuído de uma mística cristã para ter coragem de levar adiante a ideia e as propostas do reino, deverá lutar não somente um dia, um ano, mas deve estar preparado para lutar por toda a vida, como muito bem resume um trecho do escritor e poeta alemão Bertolt Brecht: Existem homens que lutam um dia e são bons; existem outros que lutam um ano e são melhores; existem aqueles que lutam muitos anos e são muito bons. Porém, existem os que lutam toda a vida. Estes são os imprescindíveis”.

O cristianismo é uma escolha. Diante de Cristo tudo o mais se torna relativo: “Por causa de Cristo, porém, tudo o que eu considerava como lucro agora considero como perda. Mais ainda: considero tudo uma perda, diante do bem superior que é o conhecimento do meu senhor Jesus Cristo. Por causa dele perdi tudo, e considero tudo como lixo, a fim de ganhar cristo, e estar com ele” (Filipenses 3 7-9).

Boa reflexão e que possamos produzir muitos frutos para o Reino de Deus.


Pe. Leomar Antonio Montagna

Arquidiocese de Maringá