Escola de Formação de Formadores e Articuladores para as CEBs


Data da Postagem: 19 de Junho de 2018

A cidade e também o campo é um grande texto para ser lido e relido no dia a dia, com o risco da interpretação. Grande desafio, principalmente com o Papa Francisco insistindo na ideia de uma “Igreja em saída”, que “rompe com a crosta do egoísmo” (D. Hélder Câmara) e que gera pessoas comprometidas e alegres. De fato, “a alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária” (EG 21). Uma Igreja ousada presente em todas as periferias e em todas as “periferias existenciais” onde há sofrimento, solidão e degrado humano.

Cada dia mais a necessidade de aproximar com simplicidade e humildade das pessoas para entender melhor seus problemas. O papa chama atenção, quando diz, diante desta situação, o que as pessoas querem é “uma Igreja que, na sua noite, não tenha medo de sair”.  Isso é lindo e desafiador.

Uma Igreja capaz de encarar os desafios de frente, que saiba dialogar com aquelas discípulas e aqueles discípulos, que, fugindo de Jerusalém, vagam sem meta, sozinhos, com o seu próprio desencanto, com a desilusão de uma Igreja ainda fechada e estacionada.

É preciso despertar nossas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) para a dinâmica do êxodo e do dom, de sair de si mesmo, de caminhar e de semear sempre de novo, sempre mais além.

“Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida.” (EG 49)

Coordenar uma CEB, ser agente de pastoral, animar um grupo de reflexão nunca foi fácil. Para Francisco “evangelizar é uma alegria”, é preciso pedir a graça de não cair num anúncio “aborrecido e triste”.

Hoje deparamos com pessoas com pouca experiência comunitária, ou até incapazes de experiência, mas cheios de informação e de opinião. A informação pode ser muitas coisas, mas não é experiência e não deixa espaço para a experiência. Numa cultura em que se permanece online o tempo todo, a ânsia por informação é cada vez mais evidente, é preciso estar informado e ser informante.  Há excesso de informação e um excesso na busca de informação e pelo saber, más não se tem “sabedoria” e sim informação “verdadeira ou não” o que distorce ou dificulta a possibilidade de se enxergar a realidade com clareza, diante de tantas informações.

Os discursos dos grupos dominantes ocupam os principais veículos de comunicação, definindo aquilo que deve ou não ser dito, pensado e realizado. Não restando meios para que discursos diferentes ocupem o mesmo espaço.

A pessoa da coordenadora/or das CEBs e seus agentes de pastorais são desafiadas, de um lado pela Igreja que o papa tanto insiste e que vem ao encontro da mística de nossas Comunidades Eclesiais de Base, do outro lado todas essas realidades presentes não só na cidade, mas no campo também.

O que é muito bonito nas CEBs é que uma grande parcela do Povo de Deus se torna protagonista da ação evangelizadora ad intra e ad extra da ação pastoral evangelizadora, social e missionária. Tem sido assim, uma grande parcela desse povo são gente muito simples com ações simples e que fazem a diferença.

Mas sente-se, diante de tantos desafios uma lacuna quanto ao processo formativo que os prepare para desempenhar funções de serviço à CEBs, muitos sentem despreparados e inseguros quanto à organização de uma reunião de CPC, ao método ver-julgar-agir-celebrar; à condução de um encontro de grupo de reflexão, de uma celebração, benção e oração nas casas, da Leitura Orante da Palavra, de uma abordagem evangelizadora; à organização de ações e projetos para atender as diversas demandas das comunidades. E sentem muito mais inseguros quanto à participação na sociedade, nos seus diversos espaços de militância em favor da sociedade justa e fraterna.

Nessa perspectiva nasce a “Escola de Formação de Formadores e Articuladores para as CEBs”, que terá sua primeira etapa no dia 30 de junho e 01 de julho deste ano de 2018. Um grande desafio, formar formadores e articuladores das CEBs, para atuarem nas bases em nossas paróquias.

O assessor será Celso Pinto Carias, um dos mais destacados teólogos leigos do Brasil, doutor em teologia pela PUC do Rio de Janeiro e assessor nacional das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

A “Escola de Formação de Formadores e Articuladores para as CEBs” foi projeto apresentado pelas CEBs e aprovado em Assembleia arquidiocesana dentro da prioridade “missão” do 24° Plano de Ação Evangelizadora (2017-2021) da Arquidiocese de Maringá.

No 7° Intereclesial das CEBs do Paraná, realizado em abril de 2016, a Província Eclesiástica de Maringá, quando no momento por província, sentiu também essa necessidade, a Arquidiocese de Maringá abriu a escola à província, que é composta além da Arquidiocese de Maringá pelas Dioceses de Campo Mourão, Paranavaí e Umuarama.


Inscrições nas secretariais paroquiais. 

 


Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

Assessora Leiga das CEBs na Arquidiocese de Maringá