Artigo padre Altair Ciarallo: “Suicídio - a autodestruição”

05 de Stembro de 2019

"Artigo padre Altair Ciarallo: “Suicídio - a autodestruição”"

Conceitualizar o suicídio não é uma tarefa fácil, face as várias dinâmicas que o envolve. Nossa compreensão se embasa à visão de percebê-lo como um acontecimento que é subscrito por uma tendência à autodestruição, ou seja, quando o indivíduo desiste de viver.

Com essa compreensão entendemos que não há suicídio, mas suicídios, que são as ações empreendidas em um contínuo existencial da tendência para autodestruição. Em outros termos: há àqueles que executam a ação, e há àqueles que lentamente vão executando as ações, como por exemplo, os que vão executando-as no comer em excesso, no beber em excesso, no fumar, nos que usam variadas substâncias psicoativas, entre outros, embora nem sempre conscientes do processo da ação.

Assim temos três graus básicos do fenômeno: primeiros graus de autodestrutividades, graus intermediários e graus extremos.

Primeiros graus de autodestrutividades são aqueles fenômenos que, inerentemente à vontade do indivíduo, eles atuam inconscientemente, isso não necessariamente significa que possam apresentar uma tentativa de suicídio ou que se matará concretamente.

Graus intermediários, são aqueles onde se encontram facetas de indicações para a ação em concreto. Existem, pensamentos, comentários, falas e tentativas, que são, já um alerta de que existe um risco sério e grave dando seus sinais.

Aqui faz-se necessário dar-se o devido valor. Embora não se devam dar ênfases supervalorizadas e nem desvalorizadas, mas, entendê-las como uma lente ampliada para prestar mais atenção, não negligenciar aos detalhes, mesmo ao menor que seja.

“Uma tentativa de suicídio é o principal fator de risco para sua futura concretização. Após uma tentativa, estima-se que o risco de suicídio aumente em pelo menos cem vezes em relação aos índices presentes na população em geral” (Owers, Horrocks, & House, 2002).

Ninguém acorda de manhã e diz: vou me matar. Sempre há sinais antecedentes. Principalmente se o indivíduo possui alguma patologia psíquica.

“Os transtornos mentais mais comumente associados ao suicídio são: depressão, transtorno do humor bipolar e dependência de álcool e de outras drogas psicoativas. Esquizofrenia e certas características de personalidade também são importantes fatores de risco. A situação de risco é agravada quando mais de uma dessas condições combinam-se, como, por exemplo, depressão e alcoolismo; ou ainda, a coexistência de depressão, ansiedade e agitação” (Bertolote & Fleischmann, 2002).

Nos graus extremos situam-se os indivíduos que apresentam um forte e firme desejo de se suicidar. Estes são àqueles que não só estão firmemente determinados a se suicidar, como também existem grandes probabilidades disso se concretizar.

Se, diante dos graus intermediários, a pessoa em questão e a sua família devem buscar uma ajuda especializada, na última fase, mais do que nunca, é recomendável um trabalho de apoio multiprofissional (médico, psicólogo, terapia familiar, psiquiatra, entre outros), a fim de que se possa tentar reverter a tendência autodestrutiva.

Salientamos que no último grau não devemos esquecer do que ressalta Stubbe (1995): “O extremo da sequência suicida são os suicídios consumados (fatais) que levam à morte”.

“Eu vim para que tenham a Vida e a tenham em Abundância” (Jo 10,10). No horizonte de toda as tragédias da vida se vislumbram a cada dia o amanhecer de uma aurora nova.

É lá onde somos chamados a voltar os nossos olhares para contemplar o sentido da nossa existência; é lá onde o Sol se desponta a cada amanhecer, para nos tirar das cavernas escuras onde nós nos perdemos da Luz e não encontramos a direção e o sentido para recomeçar, ressignificar; é lá onde o brilho dessa Luz nos desperta dos nossos sonos, das nossas angústias, dos nossos medos, dos nossos..., que Ele, que é o sentido de tudo, vem, no silêncio de quem não quer fazer alardes, para se pôr no nosso esconderijo da vida e dizer simplesmente: “A Paz esteja convosco!” (Jo 20,19).

A paz que é possível carregar as “marcas” e os “sinais”, das dores, das angústias, dos fardos e das cruzes de cada dia, mas a paz de Quem vence tudo, e é capaz de dizer: “Não tenham medo, eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20).

Está é a Vida em Abundância. O mais são quimeras que o vento dispersa como pó do esquecimento. Que sejamos testemunhas que o viver é pleno de sentido quando Ele é nosso companheiro de caminhada, pois só Ele é: “o Caminho, a Verdade, a VIDA”.


Padre Altair Ciarallo

Formado em psicologia, pároco da paróquia Cristo Ressuscitado em Maringá-PR