Maringá Missão: CEBs e a contribuição social da Igreja

18 de Julho de 2016

"Maringá Missão: CEBs e a contribuição social da Igreja"

CEBs e a contribuição social da Igreja


Em mais de dois mil anos de história, a Igreja Católica sempre procurou orientar os fiéis a ser e ter atitudes conscientes tanto no âmbito político-social quanto no cultural, moral, ético.  Segundo a Nota Doutrinal (Congregação para a Doutrina da Fé), de 24 de novembro de 2002, um escritor eclesiástico dos primeiros séculos afirmava que os cristãos participavam na vida pública como cidadãos. Inclusive a Igreja venera entre os santos, homens e mulheres que serviram a Deus empenhando-se nas atividades políticas e em governos. A Nota destaca que São Tomás More, proclamado Padroeiro dos Governantes e dos Políticos, soube testemunhar até ao martírio a “dignidade inalienável da consciência”[2].

A participação das pessoas da comunidade por meio de reflexões, discussões e encontros possibilita e oportuniza aos indivíduos tornarem-se sujeitos inseridos e pertencentes à sociedade e nela atuarem. A realização desse trabalho se dá através das pastorais, movimentos, serviços e organismos, contudo a raiz de todo o envolvimento capaz de tornar fértil cada semente plantada está nas pequenas comunidades ou grupos formados por pessoas que partilham e se unem em prol de um objetivo comum, auxiliando na organização da Igreja.

CEBs o que é?  Estes grupos são denominados de “Comunidades Eclesiais de Base” (CEBs). Tais comunidades são eclesiais porque constituem a Igreja formada por seguidores de Jesus Cristo, e de base por serem a base da sociedade - povo simples e humilde que se organiza nos locais onde moram, para viver e ser Igreja. O compromisso é com os excluídos, pobres e menos favorecidos. Esses grupos buscam soluções para suas realidades e desafios encontrados no decorrer do caminho.

Como funciona o grupo de reflexão?

As Comunidades Eclesiais de Base tornam-se ativas por meio dos Grupos de Reflexão onde a comunidade se encontra periodicamente, desenvolvendo uma ação pastoral e evangelizadora, visando à comunhão e trazendo luz para as famílias - Vão fazendo história, formando Igreja rumo ao Reino do Senhor.  Os encontros acontecem para discussões de documentos da Igreja, celebrações, novenas, partilha de vida e experiências oportunizando o protagonismo leigo no seio da Mãe Igreja.


Arquidiocese de Maringá conta com 393 CEBs

Estes foram os números revelados por meio da avaliação enviada para a Arquidiocese referente ao 23° Plano da Ação Evangelizadora 2013-2016, que tinha como 1° Prioridade a Organização das Paróquias em redes de CEBs e outras pequenas comunidades. A avaliação também trouxe à tona a certeza  de que os trabalhos tiveram resultados favoráveis e eficazes para a Igreja de Maringá.

O Documento 92 da CNBB - Mensagem ao povo de Deus -Comunidades Eclesiais de Base salienta que destaca: “As Comunidades Eclesiais de Base”, dizíamos em 1982, constituem “em nosso país, uma realidade que expressa um dos traços mais dinâmicos da vida da Igreja (...)”. Queremos reafirmar que elas continuam sendo um “sinal da vitalidade da Igreja”. Já a Conferência de Medellín expressa que as comunidades de base são “o primeiro e fundamental núcleo eclesial (...), célula inicial da estrutura eclesial e foco de evangelização e, atualmente, fator primordial da promoção humana (...)” (Medellín 15).

Diante dessas afirmações, a Arquidiocese de Maringá constata que em todos os aspectos houve um crescimento significativo na Igreja onde surgiram tais números:

- 1.111 grupos de reflexão em nossas Paróquias, que se reúnem semanalmente para refletir a Palavra de Deus e rezar juntos

- 15 paróquias de nossa Arquidiocese conseguiram organizar o COMIPA (Conselho Missionário Paroquial)

- Em 43 Paróquias acontecem semanalmente as aulas de Teologia da Escola de Teologia Bíblico-teológica. Nestas paróquias participam 1.317 alunos. Já estamos no 11º, de 20 módulos.

- 51 Paróquias organizaram a catequese no modelo da Iniciação à Vida Cristã para crianças e adolescentes.

- 40 grupos de pós-crisma em 25 Paróquias, dos quais participam 622 adolescentes.

- 92 grupos de jovens organizados e deles participam 2.646 jovens.

- 378 agentes envolvidos na Pastoral da Pessoa Idosa, que mensalmente visitam 2.347 pessoas idosas em seus lares.

Para o padre Israel Zago, coordenador da Ação Evangelizadora, esses números representam o trabalho, a organização e o fortalecimento das pequenas comunidades. “Houve maior proximidade das pessoas, crescimento da fé, da amizade, do compromisso, maior eficácia na evangelização, aproximação dos afastados e tantos outros”, avalia o padre.


CEB oferece frutos de vocação para a Igreja de Maringá

Como uma forma de ser e fazer Igreja, as Cebs recuperam a identidade das comunidades primitivas narradas no livro dos Atos dos Apóstolos tornando-se uma força seja na propagação do Reino de Deus, nos trabalhos pastorais e nas vocações. O testemunho e as experiências vivenciadas por seus membros  anima e motiva pessoas a aderir e optar pela vida consagrada totalmente  ao Evangelho.

Recentemente a Igreja de Maringá conferiu o Sacramento da Ordem ao padre Vanderley dos Santos Rigon – há dois anos seu irmão gêmeo, Vanilson dos Santos Rigon também foi ordenado padre - ambos frutos da vocação despertada  na CEB (São Lucas),onde participam da vida em comunidade.

Padre Vanderley conta que desde pequeno participava do grupo de reflexão/CEB São Lucas com sua mãe Ivani e a tia Silça. Essa participação aconteceu até a entrada no Seminário Arquidiocesano de Maringá, no ano de 2006. Segundo o padre a comunidade era motivadora: “Esta comunidade sempre me mostrou o entusiasmo em celebrar a presença de Deus em meio a Palavra, as reflexões que havia no livrinho, por meio de testemunhos e gestos concretos que sempre foi o forte nestas celebrações”.

De acordo com o neo-sacerdote a mística do Grupo de Reflexão nas CEBs, é articulada com a vida, portanto, não é uma espiritualidade intimista, e sim, uma espiritualidade comprometida com a vida, em todas as realidades e âmbitos, no social, na política, enfim, em todos os níveis. “O eixo que rege a CEB é o método “ver-julgar-agir”, ver a realidade com os olhos da fé, julgar com sabedoria, de modo a apontar perspectivas de ação, por fim, agir”, explica padre Vanderley.

O testemunho do padre Vanderley é que na CEB pode-se viver a mística de Jesus Cristo que é pautada no compromisso com tudo e com todos. “A CEB, ajudou-me a entender que ser batizado, é ser o animador principal, o primeiro a comprometer-se com o Reino de Deus e sua Justiça (Cf. Mt 6, 33); ser padre, é consequentemente responder à altura a vocação de ser verdadeiramente um cristão autêntico”, avalia.

“Não tenhais medo de apostar em Cristo!”

Hoje em dia, estamos vivendo em um mundo cada vez mais complexo, dividido, competitivo, descartável, líquido como diz alguns especialistas. Tudo parece ser fugaz. A Igreja parece ser ultrapassada, não corresponder a atual situação, sobretudo o mundo moderno, tecnológico, o mundo no qual o jovem está inserido. Por isso, o Papa Francisco, fala com insistência para a atualização da evangelização, bem como a atualização da linguagem, para que a mensagem seja aderida e entendida por todos os destinatários. A Igreja tem realizado o papel de diálogo com o mundo, com a cultura, com a ciência, enfim, com todas as situações, porque de fato, toda a realidade, fornece elemento para a teologia, que no imediato dá uma resposta.

Jovem, você que esteja lendo este artigo, talvez pode estar se perguntando: como pode um jovem querer fazer parte da CEB? Como pode um jovem estar inserido em um grupo, onde quase não se fala mais de valores cristãos?

Para vocês, jovens, digo uma pequena frase do Papa Bento XVI que está em seu livro intitulado: “Minha herança espiritual”, que é muito profunda, que me marcou no meu processo formativo, quando estava no seminário na etapa da teologia que diz assim: “Não tenhais medo de apostar em Cristo! Tende saudade de Cristo, como fundamento da vida! Acendei em vós o desejo de construir a vossa vida com Ele e por Ele! Porque não pode perder aquele que aposta tudo no amor crucificado do Verbo encarnado”.

Jovem, não deixe de participar de algum grupo, pastoral, movimento, na Igreja ou na CEB, pois todos nós pelo batismo estamos para servir. Na Igreja há lugar para todos, encontre o seu. A Igreja acredita e aposta em você. Doe a sua vida em prol do Reino de Deus”. (Padre Vanderley dos Santos Rigon)



Fabiana Ferreira/jornalista

Texto publicado na Revista Maringá Missão de julho de 2016