Artigo: O esforço para conquistar a vitória. Temos uma meta a alcançar


Data da Postagem: 08 de Agosto de 2016

Atualmente, ao ciclo de 4 anos acontecem as olimpíadas modernas, em um determinado país, escolhido pelo COI (comitê olímpico internacional) através de uma votação, na qual se levam em conta fatores como: (transporte, saúde, segurança, infraestrutura, impacto ambiental, etc. E neste ciclo o Brasil está sediando a “XXXI” edição dos jogos olímpicos de verão, 1ª edição da América do Sul, com 28 modalidades esportivas e mais de 11 mil atletas participantes de diversos países.

Ao aproximarmo-nos deste caloroso universo esportivo, destarte nos ocorre uma impressão: “Esta é a elite do esporte mundial”, ou, “Todos eles se esforçaram muito para chegar até aqui”. E assim de fato o é, entretanto se faz muito apropriado ao cristão lançar um olhar profundo à luz do evangelho, sobre esta intensa movimentação esportiva que atrai, durante o período de aproximadamente 2 meses (incluindo os jogos paralímpicos) os olhares de todos os povos da terra, para daí retirar algumas reflexões.

Assim faz São Paulo em sua 1ª carta aos Coríntios: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos na verdade correm, mas um só leva o premio? Correi de tal maneira que o alcanceis...”(I Cor 9.24). O apóstolo realiza uma analogia entre os atletas de sua época e aquela comunidade, exortando-os a uma busca do prêmio celeste, com vontade semelhante ou superior a do atleta, que para alcançar sua meta não mede esforços e sacrifícios, se esquivando do que o atrapalha, e concomitantemente, praticando com esmero, tudo que possa deixa-lo mais próximo de seu objetivo final. 

Como atleta de Tae-kwon-do (arte marcial coreana, incluída no programa olímpico) tenho acumulado em alguns anos, experiências de fracassos e conquistas, de frustração e êxito, e degustado assim, tanto o amargor de derrotas, como o sabor de vitórias. A duríssima rotina de treinos, o repouso e alimentação milimétricamente regulados, aliados a rigorosa restrição de todo tipo de substância que possua um efeito fisiológico prejudicial ao corpo, são elementos cruciais da carreira do atleta, bem como uma boa equipe técnica, sem os quais uma olimpíada se torna um sonho distante, quase utópico.

Como cristão e atleta, vejo e vivo toda esta luta, esta dedicação tão intensa, até fatigante, e penso: “Quanto mais não devo lutar e me esforçar pelo céu?”, e também “sim, desejo uma medalha olímpica, mas não, este não é o meu maior sonho, meu objetivo de vida tem muito mais valor, eu quero Deus, quero ser eternamente d’Ele”. Afinal, que serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se depois perde a sua alma? (Mc 8, 36).

O livro de Jó revela-nos um questionamento: “não é, acaso, uma luta a vida do homem sobre a terra?” (Jó 7, 1). De fato pelejamos, uma vez batizados assumindo a carreira de Cristãos, com a missão de anunciar o evangelho a todas as criaturas (Mc 16, 15), e em todos os ambientes em que se encontram as criaturas, inclusive o esportivo.

Parafraseando santa Teresa D’Ávila quando afirma “Deus move-se entre os tachos” (Livro das Fundações), posso dizer “O Senhor caminha pelo tatame”, e assim também faz nas quadras, campos, piscinas, e demais ambientes esportivos, que são de fato criações do homem, a mais bela criação de Deus, que o acompanha e o ama.

Deste modo o esforço para alcançar a vitória em Cristo deve realmente ser tal como o de um atleta olímpico pela medalha, pois “todos os atletas se impõem a si muitas privações e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível”  (I Cor 9, 25), procurando sempre os melhores recursos (os sacramentos), treinando diariamente (a prática das virtudes, a vida de oração, as obras de misericórdia e a leitura da palavra), fazendo parte de uma equipe que trabalha em conjunto (a comunidade, grupo de oração, movimento ou pastoral), com um técnico atualizado e disposto (diretor espiritual), deixando para trás o que prejudica esta carreira (os pecados e vícios).

Assim, vamos enfrentar os desafios com coragem, contando com a torcida do céu e da terra, tendo o maior dos “Paitrocínios” de todos: a benção do Pai, o amor do Filho e a unção do Espírito Santo.“Assim, eu corro, mas não sem rumo certo, dou golpes, mas não no ar” (I Cor 9, 26).

Por fim vejamos o esporte e suas manifestações segundo o conselho de São João Paulo II: “O esporte como um difusor de paz entre as nações, para a construção da civilização do amor”.

 

Rafael Reis

Ministério Universidades Renovadas RCC Maringá/PR.

Graduando em Educação Física pela Universidade Estadual de Maringá.

Atleta faixa preta 1º DAN de Tae-kwon-do.