Plano Assertivo: A comunicação que renova as estruturas eclesiais


Data da Postagem: 23 de Novembro de 2016

O termo “Igreja em saída”, utilizado pelo Papa Francisco com o intuito de nos mobilizar para uma nova atitude diante dos desafios da evangelização, é um ótimo gancho para refletirmos sob o aspecto da comunicação.

Proponho aqui um viés interno para depois ir ao externo. Nas estruturas da Igreja temos algo muito peculiar que é a constante queixa de conflitos entre nós por causa da má comunicação.

Muitas vezes, paróquias, comunidades, pastorais e movimentos, deixam de evangelizar e priorizam conflitos desnecessários e infrutíferos por causa de desentendimentos, palavras mal compreendidas, pensamentos criativos que desenham realidades que jamais existiram e que são capazes de tumultuar uma simples reunião. E quantas das nossas reuniões são assim.

Em certas realidades, talvez não a sua, reuniões são marcadas para marcar novas reuniões...nunca se resolve nada e, assim, a comunidade vive de reuniões. O centro desse modelo “pra dentro”, que não dá frutos, está no arcaico jeito de se fazer comunicação.

E é dentro da comunidade, da pastoral, da secretaria da paróquia, da casa do padre, da cúria, que precisamos refazer o jeito de comunicar as coisas para depois irmos pra “fora”. Diria, antecipadamente: que tal começar pela Igreja doméstica, em casa? Mas isso podemos conversar melhor em outro texto.

O “jeito em saída” não nega o conflito, mas não o maximiza. Resolve. É uma proposta resolutiva, com misericórdia e eficácia. O que precisa ser dito, tem que ser dito, de maneira assertiva, ou seja, clara, objetiva. Mas a “assertividade” na Igreja precisa ser banhada pela misericórdia. Como diz o Santo Padre, “se não houver misericórdia entre nós, podemos rasgar nossos planos pastorais”.

Quando assumirmos este novo modelo de comunicar as tantas coisas que fazemos e vivemos, daí poderemos dar testemunho para fora e executar a “comunicação em saída”.

Na prática, não é tão difícil assim e logo você verá resultados maravilhosos em sua comunidade. Diga apenas o necessário. Pense nas consequências de cada palavra antes de verbalizar as coisas. Se coloque no lugar do outro. Seja cordial, e, se possível, simpático. Aos poucos tudo isso vira hábito e você terá uma paróquia renovada, acolhedora, com um povo lindo, com sorriso no rosto, que acolhe e transforma. Afinal, devemos usar os dons que Deus nos deu para transformar, também a Igreja.

Vá, em saída, mas antes refaça o seu jeito de comunicar. Boa prática!


Everton Barbosa é jornalista, escritor e palestrante na área de comunicação e motivação. É assessor de imprensa da Arquidiocese de Maringá-PR.


Texto publicado na revista Paróquias http://revistaparoquias.com.br/