Comunicado de falecimento: Morre padre Ângelo Banki


Data da Postagem: 13 de Maio de 2017

A Arquidiocese de Maringá comunica o falecimento do padre Ângelo Banki, de Paiçandu. Padre Banki iria completar 90 anos no próximo dia 12 de julho. O presbítero estava internado na Santa Casa de Maringá por causa de complicações nos rins e o quadro se agravou em decorrência de uma pneumonia. Ele foi vítima de uma parada cardíaca e a morte foi registrada às 8h30 deste sábado, 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima. 

O velório será realizado a partir das 15h deste sábado, na igreja matriz Santo Cura d’Ars em Paiçandu, paróquia em que ele era vigário e trabalhava há 47 anos.

Domingo (14) o sepultamento será realizado após a santa missa de corpo presente às 15h.  


Memória: https://www.youtube.com/watch?v=axSrVhxZGSs





“Minha maior alegria é celebrar a Santa Missa”


Nascido no dia 12 de julho de 1927 em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), Cônego Ângelo Banki é o sétimo de dez irmãos. Seus pais, Júlio e Sofia Banki, deixaram Hiroshima e desembarcaram no Brasil em 1914, seis anos após os primeiros imigrantes nipônicos chegarem ao país. A situação era crítica, tanto que a família chegou a passar fome; mas o sonho dos imigrantes era ganhar dinheiro rápido e voltar para sua terra. Logo a família se converteu ao catolicismo.

Aos 10 anos, quando o pai lhe perguntou se não queria ser padre, o menino Ângelo não teve dúvidas: ingressou no Seminário São Francisco Xavier, no Ipiranga, em São Paulo. Na adolescência estudou no Rio de Janeiro e mais tarde ganhou uma bolsa de estudos dos padres jesuítas para cursar Teologia no Japão.

Ordenado em 18 de março de 1959, na Catedral São Francisco Xavier em Tóquio, no Japão, Pe. Ângelo chegou à Arquidiocese de Maringá em 1974. Nesse período os pais já haviam deixado São Paulo e vindo plantar café em Maringá, como muitos dos imigrantes japoneses que estavam no Brasil.



A chegada e a vivência em Paiçandu

A cidade ainda estava em processo de desenvolvimento, e segundo Pe. Ângelo, havia muito mato. O ano era 1974, precisamente 27 de janeiro. Havia muito trabalho a fazer, pois ele seria responsável por fundar a comunidade católica de Paiçandu.


Junto com a cidade o sacerdote foi criando raízes: presenciou momentos importantes, viu muita coisa acontecer, como a criação de paróquias, capelas, e escolas. Atuou durante anos como professor de Inglês, Geografia e História. Bastava algum aluno gritar “Corinthians”, que o padre/professor caia na gargalhada e respondia: “Banzai, Banzai”, que quer dizer ‘Viva” em japonês.

Todas as pessoas a quem se pergunte sobre Pe. Ângelo emitem a mesma opinião: “É um homem de fé” – exemplo de humildade, dedicação à Igreja, de muita sabedoria. Consolidou a Igreja Católica em Paiçandu, não esconde de ninguém o amor que tem pela cidade e pelo Brasil. Criou o jargão que diz: “Paiçandu cidade do futuro, recanto de paz”.


Em conversas com moradores antigos, a maioria se recorda de que o sacerdote sempre visitou muito as casas/famílias. Ele não se importava muito se a família era católica, queria mesmo abençoar, e assim, 40 anos depois é respeitado por todos, independentemente do credo religioso. A quem encontra dá a bênção e todos a recebem com muito carinho. O sorriso que esconde seus “olhinhos” é marca registrada e o distribui também a todos.

Por quase toda a vida levantava-se às 4h30 para fazer caminhada. Passou por alguns momentos difíceis com o mal de Alzheimer que o acometeu e, como consequência, gerou um diabetes bem acentuado,; porém os cuidados com a alimentação e a medicação adequada não o isentaram de ter qualidade de vida.

Chegou a celebrar até sete missas ao dia, nunca se ouviu falar de alguma reclamação por conta disso ou daquilo.

Sinônimo de fé e amor incondicional, o que se vê na pessoa do Cônego Ângelo é uma trajetória de muita luta, conquistas e respeito pelo sacerdócio, pelo Reino de Deus, pela comunidade da cidade de Paiçandu. Missão cumprida – BANZAI!!!

 

Padre Ângelo e o amigo fiel ‘Tiziu’

Quem, em Paiçandu, não conhece o amigo fiel de Pe. Ângelo? A amizade com o vira-lata ‘Tiziu’ teve início quando o cachorrinho desamparado foi se abrigar no portão da casa do padre. Com todo o carinho, monsenhor Ângelo acolheu o animal e desde então vivem uma linda e leal amizade. Nunca se separam.

Quando o padre vai à padaria, lá está o ‘Tiziu’ junto com ele; se for ao mercado, nem precisa convidar o ‘Tiziu’, ele vai assim mesmo; mas o que quase todos admiram é que nas celebrações das missas, lá está o ‘Tiziu’: acompanha o padre na procissão de entrada e permanece ao seu lado no altar durante toda a celebração. Padre Ângelo diz: “Acho que o Tiziu é mais devoto que muitos fiéis, pois ele não falta em nenhuma missa”. Essa amizade ficou conhecida em rede nacional.


Curiosidades

Cônego Ângelo foi o primeiro sacerdote a celebrar uma missa no topo do Monte Fuji, o mais alto do Japão, com 3,7 mil metros, em 1954. Na ocasião, deixou por lá uma imagem de bronze da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida.




Com informações da Revista Maringá Missão e da jornalista Fabiana Ferreira


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