“Peço-vos paixão, paixão evangelizadora”


Data da Postagem: 11 de Stembro de 2017

Dia 07 de setembro tive a grata oportunidade de estar com o Santo Padre, o papa Francisco,  na Colômbia, como membro do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM). No final da audiência, conversei brevemente com o papa e pedi uma benção para a Arquidiocese de Maringá. Trago aqui alguns trechos do discurso de Francisco, para que possamos refletir suas palavras.

“A esperança na América Latina tem um rosto jovem - Fala-se frequentemente dos jovens (proclamam-se estatísticas sobre o Continente do futuro); alguns referem notícias sobre a sua alegada decadência e quanto estejam adormecidos, outros aproveitam-se do seu poder de consumir, e não falta quem lhes proponha o papel de peões do tráfico da droga e da violência. Não vos deixeis capturar por tais caricaturas sobre os jovens.

Fixai-os nos olhos e procurai neles a coragem da esperança. Não é verdade que estão prontos a repetir o passado. Abri-lhes espaços concretos nas Igrejas particulares que vos estão confiadas, investi tempo e recursos na sua formação. Proponde programas educacionais incisivos e objetivos a realizar, pedindo-lhes – como os pais pedem aos filhos – que ponham em ato as suas potencialidades e educando o seu coração para a alegria da profundidade, não da superficialidade. Não vos contenteis com retóricas ou opções escritas nos planos pastorais mas jamais postas em prática.

A esperança na América Latina tem um rosto feminino - Não há necessidade de me alongar sobre o papel da mulher no nosso Continente e na nossa Igreja. Dos seus lábios, aprendemos a fé; quase com o leite do seu seio, adquirimos os traços da nossa alma mestiça e a imunidade contra qualquer desespero. Penso nas mães indígenas ou morenas, penso nas mulheres das cidades com o seu triplo turno de trabalho, penso nas avós catequistas, penso nas consagradas e nas artesãs tão discretas do bem.

Sem as mulheres, a Igreja do Continente perderia a força de renascer continuamente. São as mulheres que, com meticulosa paciência, acendem e reacendem a chama da fé. É uma séria obrigação compreender, respeitar, valorizar e promover a força eclesial e social do que as mulheres fazem.

Acompanharam Jesus missionário; não se retiraram do pé da cruz; na solidão, esperaram que a noite da morte devolvesse o Senhor da vida; inundaram o mundo com o anúncio da sua presença ressuscitada. Se quisermos uma fase nova e vital da fé neste Continente, não a obteremos sem as mulheres.

Por favor, não as reduzamos a servas do nosso clericalismo recalcitrante; mas sejam, ao invés, protagonistas na Igreja latino-americana: no seu sair com Jesus, no seu perseverar, mesmo no meio do sofrimento do seu povo; no seu agarrar-se à esperança que vence a morte; na sua maneira jubilosa de anunciar ao mundo que Cristo está vivo, e ressuscitou.”

E por fim, o papa chamou a atenção de nós bispos. E a sua mensagem, gostaria que fosse compartilhada por todo o nosso povo arquidiocesano: “Hoje faz falta paixão. Pôr o coração em tudo o que fazemos, paixão do jovem enamorado e do idoso sábio, paixão que transforma as ideias em utopias viáveis, paixão no trabalho das nossas mãos, paixão que nos transforma em incessantes peregrinos pelas nossas Igrejas”.

Mesmo a tantos desafios, vamos voltar a sermos apaixonados pela missão. Deus abençoe e uma frutífera semana.

Dom Anuar Battisti


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