Homens e mulheres que deixaram tudo


Data da Postagem: 25 de Fevereiro de 2016

Em pleno Ano da Vida Religiosa, este mês vocacional dedica uma semana para refletir sobre este estilo de vida, em que homens e mulheres deixam tudo para viver uma vida em comunidade, testemunhando a obediência, a pobreza e castidade.

Com dedicação e generosidade vivem sem possuir nada, servindo das mais variadas formas segundo carisma de cada congregação. Na Arquidiocese de Maringá temos cento e vinte e três consagrados e consagradas neste estilo de vida. Carismas que o Espírito Santo suscitou  na história em situações bem concretas. Por exemplo, em 1817 o jovem Marcelino Champagnat, sentiu a chamado para criar uma obra a serviço da educação dos jovens em situação de risco. Hoje são mais de três mil irmãos maristas em setenta e nove países com colégios e obras sociais atendendo todos os níveis de crianças e jovens com o carisma da educação.

Outro carisma de amor ao próximo é demostrado pelos  Irmãos da Santa Casa de Maringá. Dedicados para servir através de estruturas dignas cuidando da saúde.

Outro exemplo são as religiosas que mantêm colégios e obras sociais também criadas em situações bem diferentes, mas não menos desafiantes, como, por exemplo, as Irmãs Vicentinas na obra social São João XXIII, com mais de dezesseis irmãs em noventa e quatro países. No mesmo sentido as Irmãs do Regina Mundi, do colégio Santo Inácio, do colégio Santa Cruz, do colégio Carlos Démia, aqui em Maringá.

Em Nova Esperança as Irmãs Apóstolas do Coração Sagrado Coração; em Mandaguari, as Irmãs da Sagrada Família, as Irmãs de São João Batista; em Jandaia as Irmãs Passionistas. Todas elas envolvidas na promoção da vida de jovens e crianças em situações bem diversificadas. São pessoas que sentiram em determinado momento da vida um chamado, uma vocação, para servir a Deus deixando tudo, para doar tudo, sem esperar nada em troca neste mundo.

Foi para essas pessoas que o papa Francisco disse: “Igreja deve ser atraente. Despertem o mundo! Sejam testemunhos de uma forma diferente de fazer as coisas, de agir, de viver! É possível viver neste mundo de forma diferente. Estamos falando de uma perspectiva escatológica, dos valores do Reino aqui encarnados sobre esta terra. Trata-se de deixar todas as coisas para seguir ao Senhor. Não, não quero dizer ‘radical’. A radicalidade evangélica não é apenas para os religiosos: ela é exigida de todos. Porém, os religiosos seguem ao Senhor de forma especial, seguem-no profeticamente. É este testemunho que espero de vocês. Os religiosos e as religiosas deveriam ser pessoas capazes de despertar o mundo”.

Neste sentido o papa Francisco neste Ano da Vida Consagrada reafirma o grande desafio neste estilo de vida antigo e novo dizendo: “Consagrados e consagradas deverão ser testemunhas reais de um modo diferente de ser e agir. Mas, na vida, é difícil as coisas sempre serem claras; elas precisas bem delineadas. A vida é complicada, consistindo de graça e pecado. Aquele que não peca não é humano. Todos cometemos erros e precisamos reconhecer nossas fraquezas. Um religioso que se reconhece como fraco e pecador não nega o testemunho ao qual é chamado a dar; pelo contrário, ele a reforça, e isso é bom para todos. O que espero de vocês é, pois, testemunho. Quero este testemunho especial por parte dos religiosos”.

Rogo ao Senhor da messe que envie mais operários e operárias para a vinha, que se encontra cada vez mais  envolvida na pluralidade cultural e na diversidade religiosa, colocando a pessoa humana como centro de todas as decisões. O ser humano grita por dignidade, justiça, e transparência. O mundo precisa de mais homens e mulheres que saibam deixar tudo para que todos tenham só o necessário. Abençoe Senhor, todos os consagrados e consagradas e faça despertar no coração de muitos jovens o desejo de consagração.

 

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR