Gratidão aos missionários japoneses


Data da Postagem: 06 de Novembro de 2017

Há dois anos, em conversa com alguns líderes da Comunidade São Francisco Xavier e do Centro Cultural nipo-brasileiro em Maringá, surgiu a ideia de uma viagem ao Japão com a finalidade de agradecer a comunidade japonesa pela parceria histórica na evangelização da nossa região.

Nas últimas duas semanas, eu e padre Hélio Takemi Sakamoto acompanhamos um grupo de peregrinos e conhecemos de perto a história dos primeiros padres japoneses que vieram para Maringá, evangelizar. Fomos à terra do monsenhor Miguel Kimura e do monsenhor Pedro Ryo Tanaka.

Fomos a Hiroshima, conhecer a cidade devastada pela tragédia da bomba atômica. Em Nagasaki, que também foi totalmente destruída, encontramos o arcebispo na cúria arquidiocesana onde também de maneira muito cordial nos recebeu na sala de conferências.  Recebemos uma aula de história do cristianismo nessa região. Impressionante saber que mais de 3000 cristãos foram martirizados. Existem provas de uma sala onde foram sepultados mais de 600 corpos, de uma vez. Um dos testemunhos que me marcou bastante foi de que a primeira família convertida ao cristianismo foi a família do primeiro padre japonês que veio para Maringá, padre Kimura.

No testemunho contado por um bispo católico que nos recebeu, o que mais me marcou foi o testemunho dos primeiros cristãos que obrigados a renunciar a fé católica e aderir ao budismo, diante da imagem de Buda, deveriam professar a fé e pisar na imagem de Nossa Senhora.

Eles faziam isso só por formalidade diante da autoridade budista. Chegando em casa, em sinal do arrependimento por ter feito aquilo, lavava os pés e tomavam aquela água em sinal de arrependimento. Outro fato que me marcou foi a história de que durante a destruição provocada pela bomba atômica, descobriram a cabeça da imagem de Nossa Senhora, intacta. Hoje ela se encontra na Catedral e é o grande símbolo que marca o sinal de Deus no meio dos escombros e da destruição. É impressionante ver a cabeça da imagem intacta.

Estou partilhando essa experiência pois para mim foi uma grande novidade e se um dia tiver oportunidade de voltar ao Japão, se Deus quiser voltarei. Realmente vale a pena, pois é uma cultura totalmente diferente da cultura ocidental e há tantas coisas para nos ensinar em todos os aspectos. Agradeço a Deus esta oportunidade e agradeço a todas as pessoas que fizeram parte desta comitiva. O nosso Deus está presente em toda a humanidade. Somos gratos aos missionários japoneses que também hoje colaboram imensamente com o nosso desenvolvimento social, cultural e também com a evangelização.

Dom Anuar Battisti