Sacerdote, um homem sempre em caminho


Data da Postagem: 04 de Agosto de 2018

Este mês dedicado para as vocações, começamos, no primeiro domingo, recordando a vocação sacerdotal; no segundo fim de semana a vocação do pai e a Semana da Família; no terceiro final de semana, os religiosos e religiosas, e no último final de semana os leigos.

Vocação é sempre um chamado para uma missão que sempre tem consequências que levam a perdas e ganhos, renúncias e recompensas. Por isso entendemos vocação como um caminho que se constrói a cada dia, a cada momento, numa resposta de amor ablativo, amor de fidelidade, de entrega aos mais necessitados.

No encontro com sacerdotes e seminaristas, estudantes nos Pontifícios Colégios em Roma, em março deste ano, o Papa Francisco disse: “o sacerdote deve ser sempre um homem em caminho, um homem que escuta e nunca está sozinho, deve ter a humildade de ser acompanhado”.  

Neste mesmo encontro o Papa dizia: “É preciso ser pessoas normais, humanas, capazes de se alegrar com os outros, de sorrir, ouvir em silêncio um enfermo e consolar fazendo um carinho. É preciso ser pais, ser fecundos e dar vida aos outros. Sacerdotes pais e não funcionários do sagrado ou empregados de Deus.”

Neste domingo estamos contemplando a vocação sacerdotal, homens que do meio da comunidade são chamados para servir a comunidade, gente humana, pessoas normais, com uma missão semelhante ao Bom Pastor, que veio para dar a vida pelo rebanho, conduzindo-o para as verdes pastagens. Como pessoa, vive em comunhão com tantos outros também chamados, que em primeiro lugar vivem em comunhão e unidos no corpo sacerdotal, que é presbitério.

Essa comunhão se reflete na comunidade, com os leigos e leigas, construindo juntos o projeto de amor, o Reino da solidariedade e da paz, o Reino de Deus.

Uma característica que marca o ministério sacerdotal é a alegria. Na Quinta-feira Santa, celebrando a Missa dos santos óleos, o Papa Francisco dizia: “A unção nos convida a receber e cuidar deste grande dom: a alegria sacerdotal; e elenco três características dela. A primeira é a alegria que não torna o padre presunçoso, mas penetra no íntimo do coração dele. A segunda é o fato de ser incorruptível, pois é a integridade de um dom que ninguém pode tirar ou acrescentar nada. Por fim, é também missionária, colocada em íntima relação com o povo fiel de Deus. Trata-se de uma felicidade que flui somente quando o pastor está em meio ao seu rebanho”.

A missão sacerdotal é fruto da caminhada em comunhão, numa Igreja de portas abertas, onde sempre tem alguém para acolher, para escutar, para amar e atender nas mais variadas necessidades. Por isso que a fidelidade e a perseverança vem da busca pessoal do sacerdote, mas vem também da oração e da amizade que a comunidade cultiva como fecundidade do ministério sacerdotal. Ninguém vive sozinho. O sacerdote também necessita de ser acolhido, amado, apoiado, fraternalmente corrigido, para crescer juntos, com o único objetivo, formar comunidade viva, dinâmica, com a presença de Jesus, pois, “onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome eu estarei no meio deles” (Mt 18,20).

Sou um pastor feliz nesta arquidiocese por contar com noventa sacerdotes das mais variadas idades, servidores do Reino, dedicados, comprometidos com a Igreja, formando comunidades de irmãos que se querem bem. Agradeço de coração a cada um. E peço ao Senhor Jesus, o Bom Pastor, que brilhe sempre a alegria de servir, a força de carregar a cruz que vem da consciência de ter um tesouro de barro nas mãos e no coração. Que sintam sempre a alegria que vem do Senhor, da esperança que não nos engana. Rezemos pelos sacerdotes, supliquemos mais vocações, que muitos jovens sintam o chamado do Mestre e venham somar na evangelização em nossa Igreja.


Dom Anuar Battisti

Arcebispo de Maringá