Sínodo para a Pan-Amazônia


Data da Postagem: 20 de Fevereiro de 2019

O mundo começa a prestar atenção no Sínodo para Amazônia, convocado pelo Papa Francisco para 2019. Autoridades civis despertam interesse pela reunião dos bispos para discutir “novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Alguns estão espantados e fazendo críticas infundadas ao trabalho da Igreja. Conforme o Santo Padre “o objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta”.

A Amazônia é um assunto de todos nós. A Igreja, perita em humanidade, tem legítimo direito e dever de levar a temática, pois urge ações para salvar o pulmão do mundo. Para quem quiser conhecer a proposta da Igreja com o Sínodo da Amazônia, basta procurar na internet o documento preparatório para o encontro de outubro.

O texto, que merece ser estudado, lembra que “na selva amazônica, que é de vital importância para o planeta Terra, desencadeou-se uma profunda crise, devido uma prolongada intervenção humana na qual predomina a ‘cultura do descarte’ (LS 16) e a mentalidade extrativista. A Amazônia, uma região com rica biodiversidade, é multiétnica, pluricultural e plurirreligiosa, um espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos Estados e da Igreja”.

Dividido em três partes, ver, discernir e agir, o documento preparatório traz no item “ver” que “em sua história missionária, a Amazônia tem sido lugar de testemunho concreto de estar na cruz, inclusive, muitas vezes, lugar de martírio. A Igreja também aprendeu que neste território, habitado por mais de 10 mil anos por uma grande diversidade de povos, suas culturas se construíram em harmonia com o meio ambiente”.

Na proposta do “discernir” o documento ilumina as reflexões para uma conversão pastoral e ecológica. O anúncio do Evangelho de Jesus na Amazônia é apresentado a partir das dimensões bíblico-teológica, social, ecológica, sacramental e eclesial-missionária. “Hoje o grito da Amazônia ao Criador é semelhante ao grito do povo de Deus no Egito (cf. Ex 3,7). É um grito de escravidão e abandono, que clama pela liberdade e o cuidado de Deus. É um grito que anseia pela presença de Deus, especialmente quando os povos amazônicos, por defender suas terras, são criminalizados por parte das autoridades; ou quando são testemunhas da destruição do bosque tropical, que constitui seu habitat milenar; ou, ainda, quando as águas de seus rios se enchem de espécies mortas no lugar de estarem plenas de vida”.

Por fim, o documento, na última parte, provoca a ação, a agir: novos caminhos para uma Igreja com rosto amazônico. O texto reflete o que seria esse rosto, a dimensão profética, os ministérios e os novos caminhos. “No processo de pensar uma Igreja com rosto amazônico, sonhamos com os pés fincados na terra de nossos ancestrais e com os olhos abertos pensamos como será essa Igreja a partir da vivência da diversidade cultural dos povos. Os novos caminhos terão uma incidência nos ministérios, na liturgia e na teologia (teologia indígena)”.

Convoco a todos os fiéis da Arquidiocese de Maringá a se unirem em oração pela Amazônia e pelo Sínodo de outubro. É a Igreja em saída, sem medo, ousada, próxima e inserida da realidade do Povo de Deus.


Dom Anuar Battisti