Um ano de pontificado do Papa Francisco


Data da Postagem: 25 de Fevereiro de 2016

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O ministério do Papa Francisco foi marcado desde o dia em que aparece na sacada da Basílica de São Pedro, por um papado diferente. Ele começou o serviço pastoral dizendo: “Parece que os meus irmãos cardeais foram buscar-me quase até ao fim do mundo. Mas aqui estamos”.

Em seguida disse: “E agora gostaria de dar a bênção, mas primeiro quero pedir-vos um favor. Antes de o bispo benzer o povo, peço que rezem ao Senhor para que me abençoe. Façamos esta oração em silêncio. Agora, vou abençoar-vos e a todo o mundo, a todos os homens e mulheres de boa vontade”.

Nunca na história dos últimos papas se viu e ouviu tamanha humildade e aproximação. Esse seria o estilo, o rosto da Igreja a partir daquele 13 de março de dois mil e treze.  O Francisco do século XXI, que vem do “fim do mundo”, surge para dar uma nova veste às estruturas, iluminando com seu sorriso, atraíndo a todos com seu jeito de ser e falar.

É um papa que fala aos corações. Gestos, atitudes, posturas, que sustentam cada palavra que se encaixa como luva nas mãos, de todos nós, nada se perde. A missão de ser o homem de Deus no meio do povo não é outra a não ser o que ele disse na chegada ao Rio, para a Jornada Mundial da Juventude 2013: “Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em seu Nome, para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração; e desejo que chegue a todos e a cada um a minha saudação: “A paz de Cristo esteja com vocês!”

O estilo Francisco é o estilo de Jesus, que se impõe sem longos discursos ou recomendações teológicas.
Com sua inteligência aguda e ágil vinha desde a ordenação episcopal, observando a vida e a estrutura da Igreja na cúria romana, mesmo sem nunca ter morado em Roma.

Tudo era uma escola na qual foi aprendendo o que não deveria acontecer, seja em Buenos Aires, como agora no Vaticano. Por isso tem a força de mudar as estruturas ultrapassadas sem agredir, acusar, encontrar culpados. Estabelece uma verdadeira revolução simplesmente pelo seu jeito diferente de ser.

Diante da pergunta de uma criança que quer saber porque não foi viver nos aposentos pontifícios ele simplesmente disse: “Tenho problemas psiquiátricos, não consigo viver sozinho”. Por isso o clamor em criar a “cultura do encontro” o aproximar-se das pessoas, o “sentir o cheiro das ovelhas” o livrar-se das regalias e pompas de um chefe de Estado, enfim um novo rosto da Igreja para o mundo.

As mudanças se fazem sentir aos poucos, principalmente na transparência da economia e administração dos bens do Vaticano. A missão dos cardeais, bispos, sacerdotes e religiosos que trabalham na Cúria Romana, já não é só um trabalho burocrático e sim pastoral, inclusive saindo para as paróquias romanas para celebrar os sacramentos, principalmente a confissão.

O retiro de quaresma deste ano aconteceu fora do Vaticano, numa casa de retiros onde todos estavam o tempo todo, com o Papa. Ele foi junto com todos, no mesmo ônibus. Antes se fazia o retiro dentro do Vaticano, todos ouviam as meditações e cada um ia para o seu trabalho.

São mudanças que para nós de fora não se faz notar, mas isso é profundamente novo. Todos nós já demos conta de que um novo rosto, um rosto latino-americano veio para ficar estampado em toda a Igreja. Rezemos sempre pela saúde de nosso Papa Francisco, a fim de que possa consolidar em todas as estruturas da Igreja o rosto de Jesus e do Evangelho vivido, expresso em sua belíssima Exortação Apostólica Evangelho da Alegria. Que Deus abençoe você e sua família! Boa Semana!

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR