Não Basta olhar. É preciso agir!


Data da Postagem: 25 de Fevereiro de 2016

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Em setembro do ano passado o Papa Francisco em visita à Diocese de Caglari encontra com os pobres e presos e diz: “Sentimos aqui de maneira forte e concreta que todos somos irmãos. Aqui o único Pai é o nosso Pai celeste, e o único Mestre é Jesus Cristo. Então, a primeira coisa que desejo partilhar convosco é precisamente esta alegria de ter Jesus como Mestre, como modelo de vida. Olhemos para Ele. Aqui ninguém é melhor que o outro. Diante do Pai somos todos iguais, todos!”

Na última sexta-feira (14 de fevereiro) eu e o padre Manoel Silva Filho, da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, fomos visitar as famílias abrigadas provisoriamente na escola rural Delfim Moreira – uma escola abandonada, sem as mínimas condições para abrigar seres humanos.

Neste caso – e em toda a problemática da falta de moradia popular – não se trata de buscar culpados e sim buscar a solução. Se alguém está passando fome, precisamos dar de comer. Se alguém está doente, precisamos encaminhar ao médico. A dignidade humana passa pelo estômago para chegar a uma moradia digna, à educação, à saúde, ao direito de viver.

Naquela visita o Papa Francisco recorda que, também em casos como este, o caminho é um só, o amor.

“Eis o caminho do amor: não há outro. Por isso vemos que a caridade não é um simples assistencialismo, nem sequer um assistencialismo para tranquilizar as consciências. Não, isso não é amor, é comércio, é negócio. O amor é gratuito. A caridade, o amor é uma escolha de vida, é um modo de ser, de viver, é o caminho da humildade e da solidariedade.

Não há outro caminho para este amor: ser humildes e solidários. Esta palavra, solidariedade, nesta cultura do descarte — o que não serve deita-se fora — para permanecer apenas os que se sentem justos, que se sentem puros, que se sentem limpos. Coitados. A humildade de Cristo não é moralismo, um sentimento.

A humildade de Cristo é real, é a escolha de ser pequeno, de estar com os pequeninos, com os excluídos, de estar entre nós, todos pecadores. Atenção, não é uma ideologia! É um modo de ser e de viver que nasce do amor, nasce do coração de Deus. Mas não é suficiente olhar, é preciso seguir! Jesus não veio ao mundo para fazer um desfile, para se mostrar.

Não veio para isto. Jesus é o caminho, e um caminho serve para caminhar por ele, para o percorrer. As obras de caridade com caridade, com ternura e sempre com humildade! Alguns apresentam-se bons, da sua boca só saem palavras sobre os pobres; outros instrumentalizam os pobres para interesses pessoais ou do próprio grupo. Eu sei, isto é humano, mas não está bem! Não é de Jesus. E digo mais: isto é pecado! É pecado grave, porque é usar os necessitados, os que estão em dificuldade, que são a carne de Jesus, para a minha vaidade. Uso Jesus para a minha vaidade, e isto é pecado grave! Seria melhor que estas pessoas ficassem em casa!” (Papa Francisco).

Diante do que vi e refletindo sobre as palavras do Papa, não podemos ficar de braços cruzados diante de situações graves como esta das famílias na escola rural Delfim Moreira.

A prioridade é dar dignidade às crianças, a começar pelo direito de frequentar a escola, de se alimentar com dignidade, de ter um lugar digno para dormir e brincar. Onde foi parar o Estatuto da Criança e do Adolescente?

É dever das autoridades constituídas trabalharem pelo bem comum de todos, principalmente dos mais vulneráveis. Volto repetir que não se trata de buscar culpados, e sim a solução. As crianças estão pagando um preço que nunca esquecerão. Eu repeti a eles as palavras de Francisco: “Coragem! Não vos deixeis roubar a esperança e ide em frente!”

Vamos olhar e agir. Que os inocentes não sejam moeda de pagamento pelos erros da nossa sociedade que exclui.

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR