Celebrar a páscoa em tempos de crise


Data da Postagem: 12 de Abril de 2016

Na madrugada do terceiro dia ressoa nas comunidades em todo o mundo o anúncio do anjo às mulheres: “Não tenhais medo. Sei que buscais Jesus, o crucificado; não está aqui, pois ressuscitou. Vinde, vede o túmulo está vazio” (Mt 28,5-6).

Essa notícia ainda hoje é amais importante de todas as manchetes, para nós cristãos. A vida não é feita de crises, e não somos feitos para viver em crise, seja pessoal, ou não. Para que isso aconteça o caminho é se dar conta de que não estamos sozinhos, fazemos parte de um caminho onde o outro é importante, e necessariamente o totalmente outro, Jesus, o Ressuscitado, que caminha ao nosso lado. Se essa companhia é inútil o nosso existir é inútil e inútil é a nossa fé.

O papa Francisco, falando da páscoa, diz: “Este é o ponto culminante do Evangelho, é a Boa Nova por excelência: Jesus, o crucificado, ressuscitou! Este acontecimento está na base da nossa fé e da nossa esperança: se Cristo não tivesse ressuscitado, o cristianismo perderia o seu valor; toda a missão da Igreja via esgotar-se o seu ímpeto, porque dali partiu e sempre parte de novo. A mensagem que os cristãos levam ao mundo é esta: Jesus, o Amor encarnado, morreu na cruz pelos nossos pecados, mas Deus Pai ressuscitou-O. Em Jesus, o Amor triunfou sobre o ódio, a misericórdia sobre o pecado, o bem sobre o mal, a verdade sobre a mentira, a vida sobre a morte.

Por isso, nós dizemos a todos: ‘Vinde e vede’. Em cada situação humana, marcada pela fragilidade, o pecado e a morte, a Boa Nova não é apenas uma palavra, mas é um testemunho de amor gratuito e fiel: é sair de si mesmo para ir ao encontro do outro, é permanecer junto de quem a vida feriu, é partilhar com quem não tem o necessário, é ficar ao lado de quem está doente, idoso ou excluído… ‘Vinde e vede: o Amor é mais forte, o Amor dá vida, o Amor faz florescer a esperança no deserto”.

Depois destas palavras do papa, sinto que as autoridades perderam o valor da alteridade, por isso perderam a autoridade (reflexão feita pelo padre Zezinho na semana passada em passagem por Maringá). As autoridades perderam o rumo da dignidade e nos dá a impressão de que vivemos num beco sem saída. Os valores humanos e cristãos não contam nas tramas e artimanhas na luta pelo poder.

Neste dia coloco-me em  oração com o nosso querido papa Francisco: “Jesus Ressuscitado, ajudai-nos a procurar-Vos para que todos possamos encontrar-Vos, saber que temos um Pai e não nos sentimos órfãos; que podemos amar-Vos e adorar-Vos. Ajudai-nos a vencer a chaga da do desemprego, agravada pela crise econômica e por um desperdício imenso de que muitas vezes somos cúmplices. Tornai-nos capazes de proteger os indefesos, sobretudo as crianças, as mulheres e os idosos, por vezes objeto de exploração e de abandono. Fazei que possamos cuidar e defender a saúde neste tempo de epidemia de Dengue,  Chikungunya e Zika, e daqueles que são afetados por tantas outras doenças.

Consolai quantos hoje não podem celebrar a Páscoa com os seus entes queridos porque foram arrancados de suas famílias e migrantes buscam acolhida e vida digna. Jesus Ressuscitado seja nossa esperança neste tempo de tantas incertezas e interrogações sobre o nosso futuro. Dai-nos Senhor a graça de uma fé firme e forte para poder ganhar o pão com o suor do próprio rosto. Pedimos-Vos, Jesus glorioso, que façais cessar toda a guerra, toda a hostilidade grande ou pequena! Pedimos-vos, Senhor, por todos os povos da terra: Vós que vencestes a morte, dai-nos a Vossa vida, dai-nos a Vossa paz!

Dom Anuar Battisti