Cuidar do corpo como dom de Deus


Data da Postagem: 06 de Junho de 2016

Na busca de fazer uma teolgia do corpo humano, vários estudos e documentos, inclisive do nosso saudoso São João Paulo II, constatou-se que a sociedade, particularmente no ocidente, tomou um rumo muito problemático, a partir de meados do século XX.

Assim afirma o cardeal Justin Rigali: “A combinação de secularismo, materialismo e hedonismo levou a uma mudança social perturbadora. Na época da revolução sexual, a sociedade se afastou do autêntico significado da vida humana e do amor matrimonial. Entorpecido pelo pecado e pelos seus efeitos, emergiu um estilo de vida que coloca o sentido do corpo humano sob suspeita. Igualou-se o sentido do ser humano com a mera satisfação de apetites e desejos”.

Desde o princípio o ser humano é um ser com capacidade de conhecer e de amar. O ser humano usa sua capacidade de conhecer e amar para procurar o “outro”.

Essa busca não deve, entretanto, ser egoísta. Essa busca não é para satisfazer a si mesmo, mas para cumprir o autêntico e genuíno sentido da vida e do amor humano. Por isso não podem existir atalhos na vivência do amor entre os seres humanos, entre um homem e uma mulher.

O corpo humano não foi feio para a exploração sexual e busca de prazer unicamente. Por isso que condenamos todo ato de violência sexual, de estrupo ou de qualquer outra ação que venha manchar a dignidade do ser humano.

Ficamos estarrecidos diante das últimas notícias, de fatos que destroem o que há de mais lindo nos ser humano, que é a sua dignidade; somos feitos à imagem e semelhança de Deus. Abusos, estupros, destroem a imagem de Deus no ser humano.

A sociedade oferece muitos caminhos falsos, falsificando o significado da vida humana e o sentido do corpo. Parece que a realização dos ser humano está na promiscuidade, no adultério, na contracepção, nos meios ilícitos da reprodução humana, na pornografia, na exploração sexual de menores e até de adultos.

O pecado sempre busca justificar seus atos na sabotagem da dignidade do corpo, em vista de satisfação egoísta de si mesmo. No mundo da falsificação, se busca falsificar também o corpo, reduzindo-o em simples objeto de prazer.

Somos todos desfiados na instauração da civilização do amor e da cultura da vida. O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. Esta é a hora de desfazer os esquemas egoístas e interesseiros do mundo do prazer pelo prazer, e regatar nos corações o valor inviolável do amor de Deus; e onde existe amor existe Deus.

Que Deus nos abençoe e nos ilumine para que tenhamos forças para enfrentar os desafios atuais neste campo da afetividade. Para saber mais sobre o que a Igreja tem a dizer sobre afetividade, indico a procura pelo tema “Teologia do Corpo”, proposta por João Paulo II. Deus abençoe você e sua família.


Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR