Ramadan, o jejum islâmico


Data da Postagem: 27 de Junho de 2016

Ramadan, o jejum islâmico

O nono mês do calendário lunar islâmico, que para nós, ocidentais, este ano corresponde ao mês de junho, é o mais importante por ser o mês do jejum, um dos cinco pilares do Islam. Durante quatro semanas os muçulmanos jejuam desde o nascer até o pôr do sol. Jejum significa literalmente “abster-se”, não só de comida e bebida, mas de más: ações, pensamentos e palavras. Em função do jejum, que deve ser cumprido ao longo do dia, durante trinta dias, ocorrem diversas mudanças de hábitos rotineiros e sociais. A principal diz respeito à redução das três refeições corriqueiras, para apenas duas por dia e em horários bem diferenciados.

A refeição ao final do dia chama-se “Iftar” que representa a quebra do jejum. A tradição pede que o Iftar aconteça em comunidade, reunindo familiares, vizinhos e amigos com o objetivo de fortalecer os laços com a família e com a sociedade. Outra característica é a distribuição de refeições aos necessitados, por ser o mês da generosidade e da benção. O usual é quebrar o jejum com tâmaras e água antes do prato principal, especialmente, durante este mês. A outra refeição é feita na madrugada, antes do nascer do sol, chamada       Suhur”  (para que as pessoas possam suportar o dia inteiro sem alimentação). O profeta Muhammad recomendou que se faça a refeição de pré-jejum antes do amanhecer, aliviando a fome e a sede, o que auxilia no cumprimento do jejum.

A essência do Ramadan é jejuar, ou seja, abster-se de alimentos e bebidas o dia todo, até o pôr do sol, momento em que os minaretes das mesquitas chamam para a oração do entardecer. Portanto Ramadan é o mês da reflexão espiritual, das rezas, da humildade, das boas ações, da caridade, da generosidade, da autodisciplina, do autocontrole, e da autocontenção. É tempo para estabelecer maior aproximação com Deus e educar o corpo e a mente para vencer as vontades mundanas. Durante o Ramadan os muçulmanos perfumam e embelezam a mesquita, fazem orações extras, entre elas o Tarawih, em que o alcorão é citado na sua totalidade, como a melhor forma de comemorar a sua revelação que aconteceu exatamente neste mês de junho.

Como um período de purificação da alma, de buscar aproximação com Deus, além da prática do auto sacrifício, através da privação da comida, da bebida e dos prazeres, o Ramadan é muito mais do que apenas abster-se de comer e beber. O principal propósito é levar cada muçulmano a refletir sobre a solidariedade, a consolação e a generosidade. É incentivar a prática de boas ações e a afeição para com os necessitados e os pobres. É a melhor época para se revelar o espírito comunitário islâmico e praticar os princípios da igualdade social (Informações obtidas em um texto da profª. Sofia Abu Nejem, apresentado ao Grupo de Diálogo Inter-religioso – G. D. I. em Maringá da data de 18/05/2016).

Assim, nós cristãos, nos solidarizamos com nossos irmãos muçulmanos pela prática do jejum. Também para nós, cristãos, o jejum faz ver como nossos irmãos se sentem quando não têm comida, roupa e moradia dignas. A consequência é o imediato surgimento da vontade de preencher as necessidades desses irmãos carentes.


Dom Anuar Battisti é arcebispo de Maringá-PR