Tráfico de pessoas: uma forma moderna de escravidão


Data da Postagem: 25 de Fevereiro de 2016

Neste mês de outubro a intenção geral para a nossa oração na Igreja é “para que seja erradicado o tráfico de pessoas”. O papa Francisco tem falado várias e repetidas vezes sobre esta chaga da humanidade. Em maio de 2013 na Reunião com o Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes Francisco afirmou: “O tráfico de seres humanos é ‘uma vergonha’ para sociedades que se dizem civilizadas, num mundo onde se fala tanto de direitos”. Ele pediu “iniciativas eficazes” de Governos e Igrejas para garantir os direitos de quem é forçado a deixar o seu país. Estes tráficos “afetam, cada vez mais, as crianças, que são implicadas nas piores formas de exploração e mesmo recrutadas em conflitos armados”.

A Igreja Católica pede que “os direitos fundamentais sejam realmente alargados aos lugares onde não são reconhecidos. Para a Igreja, ninguém é estrangeiro, ninguém é excluído, ninguém está longe.  Encorajo todos os que estão empenhados em ajudar homens, mulheres e crianças escravizados, abusados como instrumentos de trabalho ou de prazer e muitas vezes torturados e mutilados. Desejo que todos os que têm responsabilidades de governo trabalhem com decisão para remover as causas desta vergonhosa praga, indigna de uma sociedade civil.

O papa Francisco em audiência com os participantes da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, em abril deste ano e continuou: “Como cristãos, vos sentis interpelados pelo Sermão da Montanha do Senhor Jesus e pelas suas palavras no Evangelho de Mateus: ‘Bem-aventurados os pobres os que choram, os puros de coração, os misericordiosos, os que têm fome e sede de justiça, bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça: estes possuirão a terra, estes serão filhos de Deus, estes verão a Deus’.

“Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes”. “Entre esses irmãos mais necessitados estão aqueles que sofrem a tragédia das modernas  formas de escravidão, como o trabalho forçado, a prostituição, o tráfico de órgãos e as drogas. Infelizmente, num sistema económico global dominado pelo lucro, desenvolveram-se novas formas de escravidão em alguns aspectos piores e mais desumanas que aquelas do passado.

Ainda mais hoje, portanto, seguindo a mensagem de redenção do Senhor, somos chamados a denunciá-las e combatê-la. Toda a sociedade é chamada a crescer nesta consciência, especialmente no que diz respeito à legislação nacional e internacional, de modo que os traficantes sejam levados à justiça e os seus injustos ganhos reorientados para a reabilitação das vítimas. Devem-se procurar as modalidades mais adequadas para penalizar aqueles que são cúmplices deste mercado desumano”.

Encorajados pelas palavras do papa Francisco, estamos empenhados em denunciar os abusos contra os pequenos e inocentes, como também acolher e apoiar os mais de quatro mil migrantes que se encontram em nossa região.

Com os haitianos, por exemplo, estamos oferecendo aulas de língua portuguesa, conhecimento das leis trabalhistas, alimentos para os que estão desempregados. São pessoas que vieram em busca de dignidade, e a maiorria querem voltar, pois deixaram família esperando vida melhor.

Precisamos trabalhar, guiados pela luz do evangelho, para tornar o mundo mais consciente destes desafios, pois é preciso construir a cidade terrena à luz das bem-aventuranças e assim caminharmos para o Céu na companhia dos pequeninos e dos últimos.

 

Dom Anuar Battisti

Arcebispo de Maringá