Política, Igreja e combate à corrupção


Data da Postagem: 22 de Agosto de 2016

Neste momento de campanha eleitoral, renova-se a oportunidade de continuar avançando no combate à corrupção. A pior posição seria o descrédito: “Não adianta votar, todos são iguais, nada vai mudar, são todos corruptos”.

A nossa história oferece bons exemplos de lutadores pela conquista da democracia e de grande capacidade de superar crises de todo tipo. O nosso compromisso de cidadãos não é só apertar um botão, exige discernimento, e corresponsabilidade.

Escolha e voto, são duas situações que revelam o exercício da cidadania diante da realidade que temos e aquela que queremos.

A Palavra de Deus nos relata que o Senhor chamou lideranças para libertar e governar o seu povo. Essas pessoas sentiam o peso desse chamado, mas encontravam em Deus a força para não recuar de seus compromissos. Moisés, sentindo-se impotente diante das forças da opressão, ouviu de Deus estas palavras: “Eu estarei contigo” (Ex 3,12). O sinal de estar no bom caminho era a adoração ao verdadeiro Deus e não aos ídolos. Não sabendo Moisés e Aarão o que falariam ao povo, Deus lhes assegurou: “Eu vos ensinarei o que deveis falar” (Ex 4,12). Essas são duas atitudes exemplares para o político: buscar em Deus sua força e não se deixar seduzir por ídolos, tais como o dinheiro e o poder corrupto.

Outra decisão tomada por Moisés foi aceitar a colaboração de homens sábios e experimentados, que ajudassem o povo a se organizar (cf. Dt 1,15). Na legislação dada pelo Senhor, os pobres, os órfãos e os estrangeiros tinham um lugar especial.

Jesus Cristo ensinou a seus discípulos que a atitude básica do cristão revestido de poder é a atitude de serviço, não de dominação nem de busca do proveito pessoal. Ao perceber que os discípulos discutiam entre si sobre quem seria o maior do Reino de Deus, Jesus lhes ensinou que maior é aquele que serve: “Os grandes governam oprimindo o povo. Entre vós não há de ser assim. Quem quiser fazer-se grande entre vós será vosso servidor” (cf. Mt 20,26).

A Igreja, em diferentes momentos históricos, traduziu os ensinamentos do Evangelho na sua doutrina social, base segura de uma ação política honesta e competente. Entre esses princípios doutrinais existe uma hierarquia. O primeiro deles fundamenta os demais: a dignidade da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus e a busca do bem comum.  Há ainda o princípio da subsidiariedade, segundo o qual é preciso respeitar a autonomia relativa de cada nível de competência. Ao político cabe conhecer e apoiar as iniciativas de cada comunidade.

O papa emérito Bento XVI, em sua primeira encíclica, sobre o amor cristão, afirma que a militância política é missão especifica de todos os batizados, que não se devem furtar às suas obrigações nesse campo. Estes, como cidadão do Estado, são chamados a participar pessoalmente na vida pública, assumindo funções legislativas e administrativas que se destinam a promover, orgânica e institucionalmente, o bem comum” (Deus caritas est, n. 29). A Igreja, enquanto instituição, não assume opções partidárias, mas empenha-se na luta geral pela justiça, ajudando a purificar a razão e a formar a consciência das pessoas: “A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política, não pode nem deve se colocar no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar a margem na luta pela justiça. Deve inserir-se nela pela via da argumentação racional e deve despertar as forças espirituais, sem as quais a justiça, que sempre requer renúncias também, não poderá firmar-se nem prosperar” (Deus caritas est, n. 28).  (Texto com informações das orientações da CNBB, sobre as eleições)

 

Dom Anuar Battisti