Neste primeiro domingo de 2026, dirigimo-nos ao templo para adorar o Menino Deus recém-nascido. Ele está no meio de nós. Ao longo da história, os povos seguiam as orientações dos patriarcas, dos profetas, que manifestavam a presença de Deus, conduzindo o povo. Os profetas anunciavam que, da parte de Deus, viria um salvador que conduziria o povo com cetro de poder e de justiça. Isaías, sob o símbolo da luz, em oposição às trevas, fala do aparecimento da glória do Senhor em Jerusalém: “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor” (Is 60,1). Com muita objetividade, o profeta, assertivo, anuncia a vinda do Senhor Jesus. Ele vem como luz em oposição às trevas, para conduzir o povo com segurança. Hoje celebramos a Sua manifestação ao mundo.
A festa da Epifania é a primeira, a emocionante manifestação de Deus ao mundo por meio de Seu Filho, Jesus. Hoje, na figura dos Reis Magos, o mundo se inclina diante do presépio em Belém para adorar o Menino, que é Deus. Todas as categorias humanas se manifestam e se inquietam para ver o Menino. Cumpre-se a profecia de Isaías: os pagãos são atraídos pela luz do Menino Jesus e se colocam a caminho, não de Jerusalém, mas de Belém, a casa do Pão. Consideram-se dois grupos de personagens: o primeiro é o dos Magos, que se orientam pela estrela; o segundo é o de Herodes, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, que supostamente escutam o testemunho da Escritura. A reação do primeiro grupo é de procura, reconhecimento e adoração ao Menino-Deus; a reação do segundo grupo é de ameaça, perseguição e enfrentamento.
Toda a vida pública de Jesus foi coroada pela perseguição, ameaça, condenação e morte na Cruz. Aos Apóstolos foi manifestada a grandeza e a realeza do Filho de Deus, que hoje viemos adorar: o Menino envolto em panos, frágil, indefeso, sob a tutela de um pai adotivo, José, e de uma mãe, Maria, que acolheu o Verbo de Deus no seio da humanidade. Este mistério divino é muito grande, que extrapola todas as raças e nações, pois hoje, na figura dos Reis Magos, a manifestação se tornou universal: “Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho” (Ef 3,5-6).
A festa dos Reis Magos é a festa da vida, do encontro, da alegria. É a manifestação da plenitude humana, porque Deus se humaniza e se deixa admirar, adorar, visitar, ver. Todos os grupos, entidades e povos que reconhecem o Deus Uno e Trino dirigem-se à sua Belém, onde o presépio de Natal se coloca diante de nossos olhos, a pobreza, humildade do Menino que veio ao mundo para que os povos adorem o único Deus verdadeiro.
Que tenhamos a postura dos Reis Magos e adoremos o Menino Deus de verdade, com fé. Que Ele desperte em nós a missão de purificar e autenticar a vida que nos conduz para o Reino da paz, do amor e da justiça. Tomemos outro caminho, a exemplo dos Magos, para evitar o encontro com a mentira, a corrupção, o Herodes que mente e mata. A luz nos conduz pela via da segurança, o brilho da vida que constrói a paz e a felicidade.
Vamos para a Igreja, a comunidade de fé que acolhe o Menino Deus em nossos corações.
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Publicado no Jornal O Maringá, 04.01.2026




