As comunidades cristãs se reúnem para celebrar o culto da fé e da esperança. Acreditamos no destino da vida que desemboca no Reino dos Céus. Deus conduziu o povo antigo pelos caminhos tortuosos, superando as intempéries para conquistar a pátria prometida. A dinâmica da vida é alimentada pelo amor de Deus que gera vida, e pelo esforço do ser humano em criar relações favoráveis para que o bem maior seja alcançado.
A Palavra de Deus nos estimula a permanecer unidos nos mandamentos do Senhor, para que a boa conduta una os povos e experimentem a justiça e a paz. No Evangelho de São Mateus (Mt 5,13-16), Jesus ensina que o Reino dos Céus se opõe aos reinos deste mundo. A luz não é própria, provém de Jesus Cristo. Nestes, cada um pensa em si, acumula egoísmo, injustiça, domínio sobre outros, escassez de justiça e de paz. Enquanto o Reino dos Céus é de paz, de amor e de justiça.
Os exercícios praticados dão caráter de unidade amadurecida na caridade e na simplicidade de vida. A forma de respeitar o próximo revela o nível humano de uma pessoa que deixa brilhar a luz de Deus em seus atos, em seu ser, em seu agir. “Vós sois a luz do mundo” (v. 14). As boas obras devem resplandecer, aparecer, iluminar, testemunhar o bem na forma da caridade, do acolhimento daquele que vive privado da segurança alimentar, educação, liberdade, moradia digna. Portanto, o bem que se faz é o brilho que ilumina no processo de superação das fragilidades. O Reino dos Céus é para quem pratica a justiça e a caridade.
Nós, cristãos, somos chamados a dar cor e sabor. Conhece a cor quem vê, tem brilho, luz. Sabor, quem pratica a justiça, tem amizade sincera, bom humor, é positivo, pronto para servir. A presença agrada, estimula, alegra, antecipa para que nada aconteça de anormal na vida pessoal e comunitária. Assim é o Reino de Deus que Jesus anuncia. Ele chama todas as pessoas a serem protagonistas, aliadas de Deus na edificação do Reino no mundo. Portanto, não há espaço para opressores, violentos, manipuladores da justiça e do bem-estar.
No Reino dos Céus, o discípulo, associado à simbologia do sal, é convocado a dar gosto às realidades, purificando-as do mal e do pecado; por isso, é chamado a dar sentido às coisas do mundo. Em relação à outra imagem do texto evangélico, o cristão é luz porque busca, caminha, se orienta por Cristo, a verdadeira luz do mundo. Somos luz não por sermos luminosos em nós mesmos, mas por sermos iluminados pelo Senhor. Assim, ser sal e ser luz torna-se a missão do cristão que se propõe ao caminho de Jesus, o das bem-aventuranças.
O profeta Isaías propõe um caminho concreto para sermos sal e luz em nossas realidades: “Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne” (Is 58,7). Ser sal e luz é traduzir a fé em gestos concretos de amor, justiça e misericórdia no mundo.
Voltando o nosso olhar para as realidades de nossas cidades, nos ambientes onde vivemos, somos orientados a abrir os olhos e perceber onde há trevas ou luz, onde há gosto ou dessabor na convivência humana. Somos presença na vida da comunidade de fé que gera comunhão, participação, inclusão, comunidades de fé e vida, ou somos usurpadores nas comunidades, exigindo direitos sem deveres?
Que a prática da nossa fé nos faça aliados de Deus, que tem o Reino de amor e de justiça.
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Publicado no Jornal O Maringá, 08.02.2026




