15 de Fevereiro de 2026

"A verdade que conduz à justiça do Reino"

O domingo é o dia dedicado para o encontro com a família, encontro celebrativo da Palavra de Deus e da Eucaristia. A temática do encontro enobrece o ser humano na busca da verdade e do verdadeiro sentido da vida. A família fortalece seus laços de paz e de justiça na medida em que se encontra, se relaciona, busca a razão mais ampla do sentido da vida. Quanto menos se reúne, mais se distancia da verdade e assume a frieza da relação, morte da boa conduta e da justiça. 

Fazer a verdadeira escolha é o caminho da prática da liberdade. Somos dotados da graça da liberdade. O princípio da liberdade nasce no respeito pela criatura humana: “Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás” (Eclo 15,16). O autor do Livro do Eclesiástico convoca o povo a ser protagonista da verdade e da liberdade. Ninguém é escravo de ninguém. Somos criaturas livres e temos a obrigação de praticar a justiça em todos os momentos da vida. 

A Boa Nova de Jesus traz um novo modo de nos relacionarmos com a Lei e, por consequência, um novo modo de nos relacionarmos com Deus. A Palavra do Evangelho pertence ao precioso sermão da montanha. A tônica recai sobre a busca da verdade e da justiça. Não viver mais como os antigos, a Lei ultrapassada por práticas exaustivas, incoerentes, desqualificadas da justiça. A advertência de Jesus é com autoridade: “Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5,20). Essa advertência de Jesus exige de cada pessoa fazer uma avaliação da sua prática religiosa, do conceito sobre a postura na vida, confrontar com os sentimentos de justiça que permeiam a consciência. Estamos abertos, livres, prontos para entender a prática da justiça que Jesus nos ensina, ou permanecemos em práticas ultrapassadas, cansadas, estancadas, distantes da justiça que vem de Deus? A prática da oração revela a capacidade da pessoa de ser protagonista na edificação de uma sociedade mais justa e fraterna. Ela passa pela oração prática, silenciosa, livre, confiante na manifestação de Deus. “Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras” (Mt 6,7). A verdadeira oração tem um olhar voltado para Deus, a fonte inspiradora que nos une a Ele, e o outro olhar para o próximo, a pessoa que está do nosso lado. A liberdade de se relacionar positivamente com Deus e com o próximo gera a liberdade interior que abrasa o coração e a pessoa se torna justa, afável, fraterna, respeitosa. 

Ser cristão é, antes de tudo, amar o irmão mais próximo, mesmo que nos faça o mal. Jesus quebra a corrente do egoísmo, da maldade, da vingança, da mentira e aproxima, seja quem for, para atestar na sua vida a boa conduta que liberta e pratica a justiça. 

Somos cristãos maduros quando vivemos na carne a mensagem do Evangelho e praticamos a justiça. A maturidade da fé começa quando se entende o mistério da encarnação, morte e ressurreição de Jesus e vivemos os mesmos sentimentos de compaixão, amor e misericórdia. A Lei se torna a fonte inspiradora para as boas obras e assegura a convivência saudável entre as pessoas, respeitando todo ser vivente. 

Viver a sabedoria de Deus é buscar o Reino dos Céus e a Sua justiça. Eis o desafio para vivermos com mais profundidade e liberdade o Evangelho do amor e da justiça. 


Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM 

Publicado no Jornal O Maringá, 15.02.2026