O útero materno é o lugar mais sagrado onde a vida é recebida, desenvolvida, gestada para chegar perfeita à luz deste mundo. Bendigamos a Deus pela mulher, mãe que nos gerou e nos criou para uma vida digna e justa. Reconhecendo a grandeza da criatura que Deus escolheu para ser a mãe de Seu Filho amado, hoje saudamos todas as mães, vivas e falecidas. As vivas são a imagem fiel da ternura e do amor a serviço da vida entre nós. As mães falecidas são lembranças eternas que não se apagam, porque não anulam a vida gerada em seu útero, que nos impulsiona para a vida eterna.
Neste tempo pascal, lembramos que os ensinamentos recebidos de nossas mães nos enchem de fé e de esperança. A fé dá credibilidade às coisas bonitas que recebemos e entendemos em nosso existir. Alguém de coração bom ensina e qualifica a vida que nasce, se desenvolve e encontra terra fértil para produzir frutos de amor e justiça neste mundo. Assim como Filipe desceu à cidade de Samaria, pregando-lhes Cristo (At 8,5-8), teve sucesso porque o Espírito estava nele. A fé que recebemos de nossas mães nos impulsiona para as boas ações.
A Pastoral da Criança deve ser estimulada em nossas comunidades, faz a acolhida, cuidado junto às gestantes, para que nada falte na vida da mulher-mãe. Que esse tempo seja de paciência, de afeto, para que a nova vida venha ao mundo em perfeitas condições.
Neste Dia das Mães, é oportuno refletir e avaliar, nas famílias, onde a mulher oferece o seu útero para criar mais uma vida feita à imagem e semelhança de Deus. São Pedro alerta para estarmos sempre atentos para fazer o bem: “Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito. Tende uma consciência reta a fim de que, mesmo naquilo em que dizem mal de vós, sejam confundidos os que desacreditam o vosso santo procedimento em Cristo” (1Pd, 3,15-18). São Francisco de Assis, ao acolher os irmãos que desejavam viver a experiência da fraternidade evangélica, orientava para uma vida simples, desprendida e repleta da ternura que somente é possível para quem se deixa guiar pelo Espírito Santo. “Assim como a mãe cuida e nutre seu filho, muito mais um irmão deve cuidar e amar seu irmão espiritual”.
Na perspectiva de acolher a vida com docilidade e serviço ao bem comum, São João insiste no amor a Deus e ao próximo. Seu Evangelho é de extrema delicadeza, revelando a sua experiência de convivência com o Mestre de Nazaré, Jesus Cristo. Ressoam nele os momentos de amor vividos e testemunhados junto a Jesus até o fim. Mesmo no alto da Cruz, já nas últimas gotas de vida, dá Sua mãe para ser cuidada por ele. Neste gesto supremo de amor, aprendemos a amar a Deus, a mãe de Jesus, e somos gratos pela mãe que Deus nos deu, que nos criou e nos ensinou os caminhos do seguimento de Jesus Cristo. A fé original normalmente vem do coração amoroso da mãe. “Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco (cf. Jo 14,15-21).
Que neste Dia das Mães saudemos com o coração repleto de gratidão por tudo que a mãe significa e realiza em nossas vidas. Ela é o sacrário do bem maior que nos enche de fé, de amor e de cuidado.
Parabéns a todas as mães!
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Publicado no Jornal O Maringá, 10.05.2026




