A Solenidade de São Pedro e São Paulo nos convida a contemplar duas colunas fundamentais da Igreja, diferentes em seus caminhos, mas unidas na mesma fé e na mesma missão. Pedro, o primeiro papa, representa a dimensão da instituição: aquele a quem Cristo confiou as chaves do Reino, o serviço da unidade, a firmeza na fé. Em sua fragilidade humana, vemos também a ação da graça que sustenta a Igreja ao longo dos séculos. Ele é sinal visível de comunhão, aquele que confirma os irmãos e mantém o povo de Deus unido na mesma esperança.
Paulo, por sua vez, é o grande missionário, o apóstolo das nações. Incansável, atravessou fronteiras culturais e geográficas para anunciar que Jesus Cristo é Senhor. Nele contemplamos a Igreja em saída, que não se fecha em si mesma, mas vai ao encontro do outro, especialmente dos que ainda não conhecem o Evangelho. Sua vida recorda que a fé não pode ser guardada como um tesouro escondido, mas deve ser anunciada com coragem, mesmo em meio às dificuldades.
Pedro e Paulo não são opostos, mas complementares. A Igreja vive dessa tensão fecunda entre instituição e missão, entre unidade e dinamismo evangelizador. Quando essas duas dimensões caminham juntas, o rosto de Cristo se torna mais visível no mundo.
Neste tempo em que recordamos também os 800 anos da morte de São Francisco de Assis, somos chamados a redescobrir o espírito de comunhão, simplicidade e fraternidade que marcou sua vida. Francisco encarnou, de maneira concreta, a fidelidade à Igreja de Pedro e o ardor missionário de Paulo, vivendo o Evangelho com radicalidade e amor aos pobres. Ele nos ensina que a verdadeira reforma da Igreja começa pela conversão do coração e pela vivência do amor fraterno.
Hoje, a Igreja continua a missão de Pedro e Paulo, sendo sinal de comunhão, promotora da vida fraterna e da solidariedade. Em um mundo marcado por divisões, ela é chamada a ser casa de unidade, onde todos se sintam acolhidos como irmãos. Cada cristão participa dessa missão, sendo testemunha do amor de Deus no cotidiano.
Neste tempo de polarizações, somos desafiados e restabelecer o convívio fraterno, o entendimento na família, no mundo do trabalho, nas instituições, sendo elo de alegria do Evangelho em todos os ambientes onde estamos.
As figuras de Pedro e de Paulo nos desafiam a professar, em nossas vidas: quem é Jesus Cristo para mim? Qual é a convicção que tenho para professar a minha fé no Cristo Ressuscitado?
Sou seguidor dos ensinamentos de Jesus e assumo a vida de Igreja como verdadeiro seguidor de Jesus, ou me aposso das coisas de Deus, fazendo do Cristo o meu servidor?
A humildade e a fraternidade de São Francisco de Assis nos ensinam que é possível seguir a Jesus com radicalidade, mas é preciso acreditar, intensificar a vida de oração. O cuidado para com os mais fragilizados, os mais sofridos, como compromisso de batizados, alcançaremos as promessas do Reino de Deus.
Que a Mãe de Jesus e nossa Mãezinha do céu nos proteja e nos estimule para uma vida em Deus, e sejamos fiéis seguidores de seu amado Filho e façamos sempre a vontade do Pai que está no céu.
Rezemos pelo sucessor de Pedro, o Papa Leão XIV, para que, sustentado pelo Espírito Santo, continue guiando a Igreja com sabedoria, coragem e humildade. Que, à luz do testemunho de Pedro, Paulo e Francisco, possamos renovar nossa fé e nosso compromisso com o Evangelho, vivendo como verdadeiros discípulos missionários, construtores de comunhão e instrumentos de paz.
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Publicado no Jornal O Maringá, 28.06.2026




