Neste domingo, a Palavra de Deus vem até nós como uma semente lançada na terra. Assim como o profeta Isaías (55,10-11) nos ensina, a chuva faz a semente germinar e dar frutos; assim, a Palavra de Deus, ao cair em nosso coração, deve produzir frutos de amor, paz e justiça. Somos chamados, como terra fértil, a acolher essa Palavra, permitindo que ela cresça e transforme nossas vidas. A Palavra de Deus não cai em vão em nosso coração: deve produzir frutos de alegria e comunhão de vida.
São Paulo, na Carta aos Romanos, recorda que toda a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Cada um de nós, ao acolher a Palavra, torna-se um sinal dessa esperança que aguarda o reino de Deus.
A vida é edificada sobre os alicerces do amor, o principal anúncio de Jesus Cristo. Anunciar a misericórdia de Deus é o exercício diário que exige sacrifício, entrega, superação das dores e inconstâncias humanas. Por isso, São Paulo, aos Romanos, fala que nós, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo (Rm 8,18-23).
No Evangelho de São Mateus, Jesus nos apresenta a parábola do semeador, a primeira comparação dentre outras, mostrando que o Reino de Deus começa com pequenos gestos, como sementes. É no nosso agir cotidiano, nas obras boas, que semeamos o amor de Cristo no mundo.
Deus implantou no ser humano a semente do amor que brota dele mesmo, de Deus. Deus é amor, como diz São João. Nosso coração deve estar em condições favoráveis para acolher as sementes do bem que Deus projeta na vida do ser humano. Vivemos para Deus, portanto, devemos assumir as coisas de Deus para uma vida digna, justa, santa, feliz.
O semeador representa Deus, a semente é a própria Palavra, e os terrenos simbolizam a disposição de cada pessoa. Cabe a nós fazermos uma avaliação sincera: como está o nosso coração? Como preparamos o nosso coração para acolher e deixar que a Palavra de Deus germine e dê bons frutos, frutos do bem, da amizade, da coerência, da justiça, da verdade, do respeito mútuo?
A Igreja nos ensina que essa semente precisa ser cultivada desde o início da vida. A Pastoral da Criança, com seu cuidado especial com as gestantes e os primeiros mil dias da vida de um bebê, é uma expressão concreta dessa Palavra que germina. Acolher a vida desde o começo, cuidar com carinho, é plantar no coração da sociedade a esperança de um futuro melhor.
Vivemos tempos de escassez da verdade, do cuidado, do comprometimento com a vida frágil e excluída. Jesus se ocupou em primeiro lugar, com os abandonados, os enfermos, os marginalizados, os pobres. Revela um cuidado especial para com as crianças, pois delas é o Reino dos Céus.
O momento crescente das devoções populares deve ser considerado na ação pastoral em nossas Igrejas, mas o cuidado para com a vida, a dimensão social e a caridade vêm em primeiro lugar. Não podemos nos contentar com a espiritualidade sem nos ocuparmos com a caridade, que fortalece e assume a integralidade da beleza do amor entre as pessoas. “Isto eu vos ordeno: amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
Que, ao receber a Palavra, possamos ser como a terra fecunda, gerando frutos que testemunham o Reino de Deus em cada gesto, em cada vida, desde o início até a eternidade.
Que Maria, a mãe de Jesus, nos estimule a sermos terra boa, para que as sementes possam gerar frutos do céu entre nós.
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Publicado no Jornal O Maringá, 12.07.2026




