01 de Novembro de 2026

"Dia de Todos os Santos"

Celebrar a Solenidade de Todos os Santos é celebrar a vitória da graça de Deus na vida de homens e mulheres que acolheram o Evangelho, perseveraram na fé e fizeram de sua existência uma resposta ao amor de Cristo. É uma festa que nos enche de esperança, porque nos recorda que a santidade não é privilégio de poucos, mas vocação de todo o povo de Deus. 

Cristo amou a Igreja como Sua esposa e entregou-se por ela para santificá-la. Por isso, todos os membros da Igreja são chamados à santidade: “todos os fiéis, de qualquer estado ou condição, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade” (cf. Lumem Gentium, 39-40). 

A santidade é dom de Deus e, ao mesmo tempo, resposta livre, segura e perseverante da pessoa. Deus nos chama, sustenta-nos com Sua graça e nos oferece o caminho; cabe a nós responder com fé, esperança e caridade. 

As Bem-aventuranças apresentam o itinerário dessa santidade. Jesus começa dizendo: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”, e conclui: “Bem-aventurados sois vós quando vos perseguirem por causa da justiça… Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5,1-12). 

A primeira e a última Bem-aventurança emolduram todo o caminho: o Reino de Deus é o princípio e o fim da existência cristã. O caminho começa na pobreza de espírito, quando reconhecemos que não somos autossuficientes e que precisamos de Deus. Aquele que mais confia do que possui abre o coração à graça. 

Depois vêm a mansidão, a misericórdia, a fome e a sede de justiça, a pureza de coração, a construção da paz e a perseverança diante das dificuldades. Não se trata de um caminho abstrato. É a santidade vivida na família, no trabalho, na comunidade, na política, na sociedade, na Igreja e no cuidado dos mais pobres e vulneráveis. 

Celebrar Todos os Santos é celebrar nossa vocação batismal e nossa responsabilidade comunitária. Ninguém se torna santo sozinho. A fé amadurece numa comunidade que acolhe, escuta, celebra, forma, acompanha e envia em missão. 

É precisamente nesse horizonte que compreendemos a importância da sinodalidade. Caminhar juntos — bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, cristãos leigos e leigas — significa reconhecer que todos, pelo Batismo, participamos da missão de Cristo. 

A Iniciação à Vida Cristã deve ajudar crianças, adolescentes, jovens e adultos a descobrir Jesus Cristo, entrar na vida da comunidade e crescer na fé. Não queremos apenas preparar pessoas para receber sacramentos; queremos formar discípulos e discípulas que vivam o Evangelho e encontrem na Igreja uma casa de acolhida, oração, fraternidade e missão. 

O Papa Francisco nos ensinou a reconhecer os santos que estão próximos de nós: os “santos ao pé da porta”. São pessoas que vivem a fé com simplicidade e perseverança; pais e mães que educam os filhos na fé; idosos que rezam e sustentam suas famílias; jovens que servem; catequistas que dedicam seu tempo; ministros e agentes de pastoral; religiosos e religiosas; sacerdotes e diáconos; profissionais que trabalham com honestidade; pessoas que cuidam dos doentes, dos pobres, dos migrantes e dos que vivem situações de sofrimento. 

Peçamos ao Senhor que nos conceda a graça de compreender que a santidade não é um ideal distante. Ela começa nas escolhas concretas de cada dia: no amor vivido em família, na fidelidade à vocação, na oração, na Eucaristia, na reconciliação, no serviço, no cuidado dos pobres, na defesa da vida, na promoção da paz e na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. 

Que Todos os Santos e Santas intercedam por nós. 


Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM

Publicado no Jornal O Maringá, 01.11.2026