Reflexão: Liturgia do IV Domingo da Quaresma, Ano A – 15/03/2026

13 de Março de 2026

"Reflexão: Liturgia do IV Domingo da Quaresma, Ano A – 15/03/2026"

"O CEGO, PORÉM, RECONHECE EM JESUS O FILHO DO HOMEM E SE PROSTRA EM ADORAÇÃO" (Jo 9,1-41) 

No 4° Domingo da Quaresma, o Evangelho nos apresenta a cura do cego de nascença. Jesus revela-Se como a Luz que veio ao mundo para iluminar o caminho da humanidade. O homem cego representa todos aqueles que vivem nas sombras, presos às trevas da ignorância, do pecado ou da falta de sentido, e que anseiam pela luz que conduz à vida plena. 

Ao passar, Jesus encontra o cego e declara: “Eu sou a luz do mundo”. Ao misturar a terra com a própria saliva e ungir os olhos do homem, o gesto remete ao momento da criação, quando Deus formou o ser humano do pó da terra (cf. Gn 2,7). Jesus comunica ao cego Sua própria força vital, recriando-o por dentro: Ele gera um homem novo, restaurado pela ação do Espírito. 

Contudo, a cura não acontece sem a participação daquele que deseja ver. “Vai lavar-te na piscina de Siloé”, ordena Jesus. O homem obedece e essa obediência torna-se o ponto decisivo de sua transformação. A luz recebida não é apenas física, mas espiritual: ele passa a enxergar com os olhos da fé. 

Os fariseus, embora conhecedores da Lei, percebem o poder de Jesus, mas preferem permanecer nas trevas. A luz ameaça seus esquemas de poder e segurança e, por isso, é rejeitada. Eles se tornam símbolo de quem escolhe a cegueira espiritual, mesmo tendo diante de si a verdade que liberta. 

Os pais do homem curado, por sua vez, agem movidos pelo medo. Reconhecem o milagre, mas temem perder a estabilidade social e religiosa. 

Sua atitude revela como, muitas vezes, é difícil abandonar as falsas seguranças das trevas e entregar-se à liberdade da luz. 

O cego, porém, reconhece em Jesus o Filho do Homem e se prostra em adoração. Aquele que antes vivia cego e marginalizado agora enxerga plenamente e se torna testemunha da luz. O Evangelho revela que a missão de Cristo é recriar o ser humano, libertando-o da escravidão do egoísmo, do orgulho e da autossuficiência. 

Em Jesus acontece uma nova criação: o ser humano é restaurado à sua vocação original — viver na luz, no amor e na plenitude da vida. 


Diác. Alexandre Hungaro Vansan 

Diácono permanente da Arquidiocese de Maringá 

Paróquia Jesus Bom Pastor, Paiçandu 


Reflexão do Evangelho publicada na Revista Maringá Missão Ed. 314. Março/2026